Moradora de rua fala sobre sua vida

Maria das Dores se mostrou desconfiada durante toda a entrevista.

No pequeno munícipio de Saltinho, problemas sociais são mais difíceis de serem encontrados. Não por não existirem, mas sim por se apresentarem em menor número e camuflados pela imagem de calma e tranquilidade típicas de uma cidade com menos de 7 mil habitantes.

Moradores de rua são dificilmente encontrados, principalmente porque a maioria deles não vive em Saltinho mas vêm à cidade frequentemente em busca de diferentes formas de sobrevivência.

É o caso de Maria das Dores, moradora de rua há “mais de 20 anos”.

A vida nas ruas começou para Maria ao fugir de um marido abusivo que a agredia quase todos os dias.

Sem pais nem outros parentes, Maria das Dores se viu sem escapatória, pensou em encontrar um emprego mas por medo de ser encontrada pelo marido e por não ter aonde ir, acabou nas ruas.

Maria das dores se mostrou desconfiada durante toda a entrevista, não revelou a idade e quando perguntada sobre seu sobrenome disse que se chama “Maria da Dores e só.”

Segundo ela, a pior parte de viver nas ruas é a falta de segurança e o medo, principalmente na hora de dormir. “Dormir sem saber se você vai acordar no outro dia é a pior coisa mas agora já tô mais acostumada, né?”

Maria também disse que a fome já não a incomoda tanto pois depois de tantos anos na rua, ela aprendeu “a se virar”.

Sobre a solidariedade das pessoas, ela disse que a maioria passa reto e finge que não a vê mas algumas ajudam com moedas, comida e até roupas.

Apesar de tudo, Maria disse que é feliz e acha que se vivesse em uma casa, não se sentiria tão diferente.

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