Moradores reclamam da demora de atendimento na UBS do Caxambu

por / 5 de junho de 2018 Saúde sem comentários

Filas imensas, atrasos nas consultas e condições precárias do local. Essas são algumas das dificuldades enfrentadas por moradores que utilizam a UBS (Unidade Básica de Saúde) do Caxambu, em Piracicaba.

No período das seis da manhã até os portões serem abertos, o que se destaca é uma longa fila de pacientes com atendimentos marcados para o dia. Indiferente do clima, em uma calçada irregular, esburacada e tomadas por árvores, idosos, crianças, gestantes e até mães com crianças de colo, ficam esperando, em média, uma hora.

Fila na frente da UBS pouco antes da sua abertura. (foto: Gabriela Martins)

Localizada na rua Henrique Rochelle, a unidade recebe em torno de 200 pacientes por dia e os dias de maior fluxo são as quartas e quintas-feiras. Como os atrasos nos atendimentos são frequentes, pacientes decidem realizar filas para obterem as primeiras senhas e serem atendidos primeiros.

No período da manhã, das sete às nove horas, a unidade recebe uma grande quantidade de pessoas, o que dificulta a circulação na recepção, entrada e saída de consultórios, farmácias e sala de vacinas. “Nós pedimos para que as pessoas cheguem depois das oito e meia, vinte pras nove, quando o horário da consulta deles está mais próximo desse horário, mas não adianta, eles chegam sempre às sete”, diz a recepcionista da unidade Célia Santos.

Na terça-feira, 27 de março, a moradora Catiuce Ferreira, mãe de um bebê de um ano e de uma criança de quatro anos, chegou às 6h20 na fila. “Eu chego mais cedo para ser chamada primeiro”, conta a mãe, que foi atendida uma hora e meia depois.

A queixa dos pacientes, entretanto, não se estende ao atendimento feito pelos médicos. “Não posso reclamar do atendimento dos médicos, que pra mim sempre foram excelentes, a pediatra da minha filha é muito atenciosa, o problema mesmo é a demora do atendimento e a desorganização”, afirma Catiuce.

O secretário Municipal de Saúde, Pedro Antônio de Mello, diz que “as filas para consultas médicas estão relacionadas, em boa parte, à cultura dos usuários”. Segundo ele, os próprios pacientes geraram esse entendimento de quanto mais rápido chegar mais cedo irá sair, formando assim as filas.

“Toda consulta é agendada, com dia e horário, o que eliminaria a necessidade de fila na unidade. No entanto, as pessoas preferem chegar mais cedo e acabam criando o ambiente, como se todos estivessem esperando devido à demora no atendimento”, afirma Pedro Mello.

Desorganização: Mural desordenado com informações para senha de atendimentos(foto: Gabriela Martins)

Em alguns dias, como em 27 de abril, os problemas se agravam. Em relação à demora do atendimento neste dia, a paciente Márcia (que preferiu não ser identificada), de 51 anos, diz que mesmo chegando mais cedo, ficou mais de duas horas esperando. “Cheguei às 6h30 aqui, minha senha para vacina é de número nove e até agora não fui chamada e agora já é 8h30”. O marido de dona Márcia foi embora com a senha da vacina, pois tinha uma consulta às 8h45 em outra unidade de saúde.

A recepção informou que só iniciaria os atendimentos das vacinas após as oito horas dá manhã. “Nos é passada uma informação, chega aqui é outra”, reclamou Márcia. A recepção relatou que, com a falta de alguns funcionários, ocorreu um atraso nos atendimentos devido à enfermeira chefe estar no setor de coleta de exames em vez de no setor de vacinas. O secretário de Saúde confirmou: “A vacinação começa diariamente às 8 horas”.

Indignada, Márcia saiu do banheiro dizendo que não havia nem papel higiênico. “A falta de pessoas para nos atender é tanta que nem colocar um papel higiênico no banheiro conseguem”. A recepcionista informou que dois funcionários não se encontravam na unidade, um por afastamento do trabalho, outro pelo motivo de ter sido encaminhado a outra UBS.

Estrutura

A estrutura da unidade, incluindo o prédio e os acessos, também se tornou fonte de muita reclamação pelos usuários da UBS do Caxambu. A única entrada para os pacientes é a mesma dos cadeirantes. Com a fila de manhã, os deficientes físicos esperam que todos na fila que entrem para poder passar ou eles bloqueiam a entrada dos pacientes para acessar a recepção.

Pacientes aguardam a abertura do unidade em calçada esburacada. (foto: Gabriela Martins)

“Antigamente abriam esse portão grande, não sei se é preguiça ou o que é, mas que está errada essa entrada está”, reclamou uma senhora que não quis ser identificada. A recepcionista da unidade de saúde informou que não abrem mais o portão grande pelo difícil por que no local existem dois degraus para o acesso à recepção. Diante desta dificuldade, a opção foi abrir aos pacientes somente a entrada do portão menor.

Outro problema da unidade é a ausência de estrutura para os deficientes nos banheiros. Com isso, eles precisam ser carregados no colo para poderem usar este ambiente. A passagem da recepção, por motivos de lotação e por ser um local pequeno, também atrapalha a locomoção dos cadeirantes.

Porém, os deficientes não são os únicos prejudicados. Todos os pacientes reclamam sobre o tamanho da sala de espera. “É muito pequena a recepção, a maioria das pessoas tem que ficar do lado de fora aguardando a chamada”, disse N.M.S., mãe de duas crianças pequenas. “O jeito é ficar do lado de fora e em pé”.

Uma mãe de um recém-nascido, que preferiu não se identificar, mencionou ser sua primeira consulta na UBS e que achou tudo péssimo e muito demorado. “São tantas senhas que nos deixam até perdidos”. Além de pegar uma senha para ter o primeiro atendimento, após a consulta o paciente adquire uma nova ficha para a farmácia e outra para o agendamento de outro atendimento, a senha branca, caso necessário. Novamente, nos dias de movimento elevado, os pacientes esperam, em média, cerca de 30 minutos ou mais para serem chamados e obterem os serviços necessários.

Diabética, Maria Aparecida Pinto, 62 anos, veio buscar o exame e precisou pegar uma ficha para passar na recepção. “É um absurdo pra pegar o exame, tenho que pegar o ônibus às 8h30 para ir trabalhar no Campestre e vai começar a ser chamado na recepção só às oito horas. É uma falta de organização, só tem uma pessoa atendendo”, falou a empregada.

Improviso: Unidade faz declaração de comparecimento por falta de documento
original. (foto: Gabriela Martins)

Quando a paciente Maria foi até a recepção para perguntar sobre a demora do atendimento, a atendente disse que não há o que fazer. “A senhora terá que esperar até ser chamada e o tempo que permanecer no posto será marcado na declaração”. Cansada de esperar, Maria reclamou. “Vai lá ver a senha, é toda desorganizada e as pessoas ficam segurando modificando toda ordem da senha. Vou ser prejudicada no serviço”.

Para a idosa, a necessidade de adquirir os exames era de extrema urgência, pois tinha consulta marcada para o dia seguinte. “Se eu não levar os exames amanhã, não consigo consulta, preciso deles, o ruim é saber que vou ter que passar por toda essa demora amanhã de novo”.

Maria só conseguiu a retirada dos exames às 8h31, um minuto depois do horário da saída de seu ônibus. Catiuce, por ter sido chamada antes na senha do pós-consulta, retirou os exames. “Se eu não tivesse pedido o exame dela na minha vez, ela não sairia daqui antes das nove horas”, disse. Maria saiu da unidade com a declaração de comparecimento para o serviço em mãos.

 

Ampliação

A Secretaria de Saúde, através da assessoria de imprensa, informou que a UBS Caxambu será ampliada com recursos de emendas parlamentares. A obra está prevista para iniciar ainda este ano. “A unidade está pequena para a demanda, por isso a necessidade da ampliação da estrutura. Assim, será possível melhorar o atendimento, com mais conforto aos seus usuários”, informa a nota.

O secretário de Saúde, Pedro Antônio de Mello, admite que nas segundas, terças, quintas e sextas-feiras, das sete às nove horas, a situação é “um pouco mais complicada” em virtude de ocorrerem às coletas de exames.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Gabriela Martins

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