Músicos independentes buscam espaço no cenário musical

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A indústria da música está em constante transformação. Os discos de vinil foram substituídos por fitas cassetes, que mais tarde foram trocadas pelos CDs. Esses últimos tiveram queda histórica em vendas na última década, após o aparecimento e popularização da Internet. O que antes era material se tornou digital.

Se a forma de comercializar muda, a forma de produção, distribuição e compartilhamento também é alterada. Esse impacto não foi sentido somente por grandes produtoras, mas também por músicos independentes em busca de espaço no cenário musical nacional. Para o músico Phillip Long, de Araras, a escolha de lançar seus álbuns somente na Internet é quase natural. “O poder do virtual é que é de graça e tem um alcance maior”, disse. Phillip disponibiliza todos os seus álbuns para download gratuito no site A Musicoteca, inclusive seu último trabalho, “Gratitude”.

Phillip Long faz apresentações na Praça Barão de Araras para divulgar seu trabalho (Foto: Oscar Neto)

Phillip Long faz apresentações na Praça Barão de Araras para divulgar seu trabalho (Foto: Oscar Neto)

Enquanto o público tem acesso mais fácil e sem custo, alguns profissionais sentem dificuldades em disponibilizar tudo gratuitamente. Uma solução encontrada por alguns são os sites de financiamento coletivo, conhecidos como crowdfunding, que permitem que o público faça doações para permitir a realização dos trabalhos. O projeto “Mosaico”, do ararense Marcos Paulo, é um exemplo de que os fãs estão dispostos a pagar pelo material artístico. “Resolvi colocar o ‘Mosaico’ no site como uma tentativa de aumentar os recursos para o lançamento do meu trabalho autoral”, comentou.

Marcos ainda diz que artistas com maior visibilidade conseguem mais facilmente o financiamento. “A maior parte dos projetos bem sucedidos ainda é de artistas que já estão com certo nome e notoriedade em seus devidos cenários.” Um exemplo disso é a banda Raimundos que em agosto deste ano lançou um projeto no Catarse, o mesmo site que está “Mosaico”, para o lançamento de seu próximo disco “Cantigas de Roda”. A banda ultrapassou os R$55 mil necessários, arrecadando R$ 123 mil.

O ararense Marcos Paulo optou pelo financiamento coletivo (Foto: Divulgação)

O ararense Marcos Paulo optou pelo financiamento coletivo (Foto: André Perin Pascotte)

O músico ararense, Danilo Carandina, está iniciando o processo de gravação de seu primeiro projeto. Para ele é preciso um circuito cultural muito mais elaborado e vivo para que o artista independente possa tocar frequentemente e divulgar seu trabalho. Outra dificuldade é a falta de retorno financeiro para o artista quando a divulgação e disponibilização são feitas na rede. “Se o artista não tiver uma gravadora ou produtora por trás dele, a própria divulgação pela internet já fica mais difícil.”

Danilo Carandina trabalha em seu primeiro projeto (Foto: Ciro Bertolucci)

Danilo Carandina trabalha em seu primeiro projeto (Foto: Ciro Bertolucci)

Parcerias fundamentais

Além do retorno financeiro, outra preocupação dos músicos é ter um feedback rápido sobre seu trabalho. Segundo Danilo Carandina, é muito difícil encontrar algo que te dê algum retorno. “É pouca gente que ouve artista novo. Dos que ouvem, muitos estão acostumados com um padrão de qualidade que é mais uma imposição do mercado”, disse.

Mais uma vez, o problema em produzir no padrão de qualidade do público é o dinheiro. No caso do projeto de Marcos Paulo, os músicos convidados gravam suas partes da faixa em estúdios particulares, mas a mixagem e a masterização são feitas em estúdios especializados. “Com pouco investimento se consegue bons equipamentos hoje em dia para gravação de áudio”, comentou o músico.

Entretanto, o processo de criação independente pode sim dar certo. Um exemplo concreto é banda Velhas Virgens, veterana com mais de 20 anos de estrada. Formada por músicos paulistanos, a Velhas Virgens também teve várias dificuldades no início, mas parcerias e produção de música de qualidade (qualidade e não quantidade) fez com que se consolidassem no cenário musical. São mais de 150 mil CDs e 25 mil DVDs vendidos ao longo da carreira, além de outros produtos que levam o nome da banda. Para eles o segredo é meter o pé na estrada, fazer muitos shows e trabalhar muito para atingir os objetivos.

Phillip Long se apresenta em Araras ao lado do músico Marcos Paulo (Foto: Oscar Neto)

Phillip Long se apresenta em Araras ao lado do músico Marcos Paulo (Foto: Oscar Neto)

Como a banda veterana, os músicos ararenses Phillip e Marcos contam com parcerias de grandes nomes da música brasileira e internacional em seus trabalhos. Phillip Long, em seu último álbum, traz participações de nomes como Scott Tunes, baixista de Frank Zappa – um dos maiores guitarristas da história – e Maguinho Alcântara. “Foi muito legal ter a participação do Scott (Tunes) no disco e o Maguinho é um exemplo do respeito que ganhei dentro da cena artística”, comentou Long.

Outro músico que se transformou junto com o mercado da música foi Leoni. Em seu livro “Manual de Sobrevivência no Mundo Digital” – disponibilizado gratuitamente aqui – o cantor diz que o artista independente deve ter contato direto com o público e dar um motivo para que o fã compre seu produto, como oferecer itens exclusivos. Segundo ele, no meio digital, ainda há a possibilidade de inserir o público no processo criativo e de gravação, trazendo os fãs mais árduos para perto do músico/banda.

Ficou curioso e quer saber mais sobre os projetos citados na matéria? Confira os links abaixo para conhecer mais os músicos citados:

Phillip Long
A Musicoteca – http://www.amusicoteca.com.br/?p=8168
Facebook – https://www.facebook.com/philliplongmusic

Marcos Paulo
Facebook – https://www.facebook.com/marcosoluap1
Projeto Mosaico – http://catarse.me/pt/marcospaulomosaico
Bandcamp – http://www.marcospaulo.bandcamp.com/

Danilo Carandina
Blog – http://spamoufraude.tumblr.com

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2 COMENTÁRIO

  1. Ficou muito boa sua matéria, Carol. De fácil entendimento e compreensão. As fotos do Oscar ficaram lindas. Parabéns!

  2. Ótima matéria. Parabéns!

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