Mutirão planta mil mudas em áreas verdes de Piracicaba

Com foco na melhoria da qualidade de vida, ocorreu no domingo, 20 de setembro, o Mutirão para Reflorestamento e Plantio de Árvores Nativas – #DiaVerde2. O projeto de abrangência nacional ficou a cargo do Instituto da Consciência Ambiental (Inca) e da atuação de 29 pessoas para a realização em Piracicaba. Mais de mil mudas foram plantadas nas Áreas de Preservação Permanente do Rio Piracicaba, Rio Corumbataí e Córrego do Manequinho.

Preparação das mudas para o evento. Foto: ONG Inca.

Com a preparação para o evento na véspera, a ação popular contou com a assistência da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sema) e do consórcio PCJ para a aquisição das mudas. Mil covas foram cavadas e os coordenadores do projeto, receberam mais de 50 espécies (como copaíba, canela, pau marfim, pau d´alho, jatobá e jequitibá) para serem plantadas.

A Inca atua desde o final da década de 90 na área sócio ambiental, atingindo mais de 10 mil alunos e com um saldo de 150 mil árvores nativas plantadas, segundo o coordenador da ação e vice-presidente da Ong, João Marcelo Elias.

A realização do evento piracicabano aconteceu em locais de base de ativistas ambientais. As áreas selecionadas para o plantio, de acordo com o coordenador, foram a reserva Salati, na margem esquerda do rio Piracicaba, de propriedade do professor Eneas Salati; o sítio Santa Cecília, Cedita (Centro de Educação e Difusão de Tecnologias Agroambientais), na margem direita do rio Corumbataí; o núcleo Quati, Ong Inca, na margem esquerda do rio Corumbataí e a propriedade Rancho Cacique, da família de Warwick Manfrinato, na margem esquerda do rio Piracicaba.

A ideia do Mutirão Nacional de Plantio surgiu da ambientalista Cibele Alves, de Florianópolis (SC), em 2014. Usando a rede social Facebook, a catarinense convocou interessados, fazendo com que o projeto chegasse, este ano, em sua segunda edição e ocorresse em mais de 65 cidades brasileiras.

“O reflorestamento das margens de rios e córregos protege o solo evitando erosões e assoreamento dos cursos hídricos, melhora a qualidade das águas e evita picos de enchentes, fornece refúgio, locais para nidificação e alimentos à fauna, envolve o ser humano e ajuda despertar a consciência ambiental sobre a necessidade de termos mais áreas florestais e seus múltiplos benefícios”, afirmou o coordenador do projeto em Piracicaba.

Outro ponto indicado por Elias é a absorção de CO2 atmosférico, feita pelas árvores, ajudando no combate ao aquecimento global e na transformação do “gás do ‘efeito estufa’ em biomassa”.

O principal enfoque do Mutirão ficou nas margens do Rio Corumbataí, que nasce em Analândia, e seus córregos tributários, principal manancial que abastece Piracicaba.

Segundo João Marcelo, ações de reflorestamento e tratamento de esgoto doméstico nessa área precisam ser priorizadas. “O nosso próximo mutirão de reflorestamento será focado nesses municípios”, destacou.

O educador ambiental e presidente da Inca, Pedro Chamochumbi, ressaltou que iniciativas coletivas, como o Mutirão para Reflorestamento, “dão aos cidadãos protagonistas a oportunidade de agir, colocando em prática seus anseios para a construção de uma sociedade mais justa e sustentável”.

Para Chamochumbi, além do saldo positivo de mil mudas plantadas, a criação da rede de “Reflorestadores Solidários, que agora serão convocados para a realização de novas ações coletivas e sustentáveis,” é um grande legado do projeto.

Elias acentuou ainda o engajamento popular adquirido no projeto. “Foi um belo exemplo de pessoas de 2 anos até 70 anos, em duas palavras: ‘dia lindo’”, exclamou.

EDITADA

Participação infantil no projeto. Foto: ONG Inca.

Vertentes da história

O cenário de desmatamento pelo Brasil aumentou 215% (somando 1.700 quilômetros quadrados), comparado com o período de agosto do ano anterior a fevereiro desde ano, segundo dados da organização não-governamental Imazon,

Tais atitudes de desflorestamento causam consequências já conhecidas, como maiores processos de erosão e desertificação do solo, a extinção ou degradação de rios e lagos e desequilíbrios climáticos.

Em contramão, de acordo com os ministérios da Ciência e Tecnologia e do Meio Ambiente, os dados de desmatamento entre 2013 e 2014 caíram 15%, comparados ao ano anterior.

Como reflexo da diminuição, houve uma melhoria na saúde da população, conforme publicado na revista Nature. A redução de queimadas e fumaças poluentes, como monóxido de carbono e óxidos de nitrogênio, impediram a morte precoce de cerca de 1,7 mil adultos por ano em toda a América do Sul.

Resultado de um estudo da Universidade de São Paulo (USP), em colaboração com a University of Leeds e da University of Manchester, do Reino Unido, e do Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos Estados Unidos e publicado na na versão on-line da revista Nature Geoscience.

 

 

 

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Camila Angelocci

UM COMENTÁRIO

  1. Excelente! Sensacional.

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