O Algodão Colorido brasileiro ganha fama internacional

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Em um sistema regulado por um mercado de consumidores cada vez mais exigentes, os produtos sustentáveis ganham espaço no mercado, onde a preocupação com o meio ambiente se torna primordial. A ideia de adquirir um produto que não agride o meio ambiente é cada vez mais relevante. E um bom exemplo disso, é o consumo de produtos confeccionados com algodão colorido já desde o plantio. O tema surgiu a partir da palestra que aconteceu no Instituto Biológico em Campinas, evento que levou alunos de Jornalismo, da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) e da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), junto com a Associação Brasileira de Agronegócio (ABAG), em junho de 2016.
O projeto deste tipo de cultivo algodoeiro, que começou há aproximadamente 18 anos no Brasil, hoje ganha o mercado internacional. Trata-se do plantio de uma espécie resultante de uma mutação encontrada na natureza em escavações no Peru e Paquistão há mais de 4.500 anos e aperfeiçoada pelos pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC).
Para a consultora do Grupo Natural Cotton Color (Grupo NCC), Geni Rodio Ribeiro “o algodão colorido é muito apreciado no exterior, pela sua originalidade e também porque existe fora do Brasil, um movimento importante e crescente do consumo consciente. Isso tem oferecido uma grande oportunidade para o produto. Além disso, os compradores internacionais ficam realmente ‘encantados’ com a cadeia produtiva totalmente sustentável desse algodão”. Ela ainda afirma que o algodão colorido vem sendo cobiçado por diversas marcas internacionais que pretendem utilizá-lo nas próximas coleções. Isso graças ao projeto do grupo de estar presente em feiras como Biophac, na Alemanha, Première Vision, em Paris e Expo West, nos EUA.
Além do cultivo eco sustentável por não utilizar insumos e defensivos agrícolas, as fibras eco sustentáveis, não necessitam de tingimento e por isso representam economia de água de aproximadamente 80% em relação ao processo de tintura do algodão convencional, de acordo com informações da Embrapa. O meio ambiente agradece e os empresários do ramo algodoeiro também.
As tonalidades disponíveis para comercialização pela Embrapa são: BRS 200 Marrom, lançada em 2000; em seguida veio a BRS Verde, em 2003; e a BRS Safira (marrom escura) e a BRS Rubi (marrom avermelhada), ambas em 2005; e por último, a BRS Topázio (marrom clara), lançada em 2010. De acordo com Geni, ainda que exista essa variedade de cores, a mais cultivada na Paraíba é o Topázio, por questões de clima, como por exemplo, adequar a plantação e a colheita às condições climáticas da região.

1 - Algodão Colorido (Foto por Sérgio Cobel da Silva)

1 – Algodão Colorido (Foto por Sérgio Cobel da Silva)

Além de agredir quatro vezes menos o meio ambiente, o algodão colorido tem gerado um aumento dos postos de trabalho no estado da Paraíba, onde é cultivado por pequenos produtores de forma manual. A geração de empregos não não se restringe somente ao campo, mas também na agregação de valor ao produto final pelos moradores da região ao confeccionarem roupas, acessórios e artesanatos.
Por dispensar o uso de insumos e fertilizantes químicos, boa parte das cultivares produzidas pela Embrapa é orgânica. Com isso, pode-se afirmar que este algodão é hipoalergênico, pois não tem interferência química nem no plantio, nem no beneficiamento. Ou seja, o uso de roupas produzidas com algodão colorido é indicado, sobretudo, para bebês, crianças e pessoas alérgicas.
Apesar da crescente adesão por produtos naturais e cultivados de forma ecologicamente sustentável, o algodão colorido é vendido para o mercado internacional em maior escala do que para o mercado nacional. Segundo notícia do site Sociedade Nacional da Agricultura sobre o documentário da National Geographiic que aborda o algodão orgânico, o produto “traz consideráveis benefícios sociais, econômicos e ambientais, mas representa menos de 1% da produção mundial”.
Uma aparente desvantagem deste tipo de plantio é quanto à produtividade. Segundo Edivaldo Cia, pesquisador do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, “a fibra naturalmente colorida é aproximadamente 30% menos produtiva do que a fibra de algodão convencional”. Os índices de produtividade variam de acordo com a coloração da cultivar. Outra aparente desvantagem e que influencia na participação do mercado nacional é o preço. O produto final chega a custar duas vezes mais que de algodão convencional.
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2 - Plantação de Algodão Colorido (Foto por Sérgio Cobel da Silva)

2 – Plantação de Algodão Colorido (Foto por Sérgio Cobel da Silva)

Apesar disso, os melhoramentos da espécie são feitos constantemente pelos pesquisadores, tais como, aumento da resistência e da qualidade da fibra, aumento do cumprimento das fibras, produtividade e resistência a determinados tipos de doenças.
Uma nova forma de combater o bicudo: principal praga das plantações de algodão
As plantações de algodão convencional se concentram mais no Centro-Oeste, já que o relevo é propício. Ainda assim, o estado de São Paulo também foi grande produtor de algodão na década de 50.
E é no estado paulistano que está localizado o IAC, que desenvolve uma nova cultivar de algodão com folhas vermelhas. Isto porque, de acordo com Cia, uma das pragas das plantações de algodão é o bicudo. Segundo o pesquisador, os estudos neste sentido indicam que o inseto tem preferência por espécies de folhas verdes.
Desta forma, o experimento do IAC é baseado em plantações “mescladas” que teriam plantas de folhas vermelhas e plantas de folhas verdes, e o inseto seria atraído somente para as plantas de folhas verdes, já que é uma praga preferencial. Com isso, o bicudo não seria extinto, só seria direcionado para as plantas de folhas verdes ao invés das espécies de folhas vermelhas.
O projeto está em desenvolvimento há dois anos, e ainda não foi aplicado no campo, ou seja, por enquanto não se sabe como a cultivar iria se comportar em larga escala. O ponto positivo desta nova espécie, chamada de é IAC PV 1, é diminuir o uso de produtos químicos para combater pragas nas plantações, com a aparente desvantagem desta cultivar de folhas vermelhas, ser menos produtiva que o algodão convencional. Isso é o que apontam os estudos realizados até o momento.

3 - Fios de Algodão Colorido (Foto por Sérgio Cobel da Silva)

3 – Fios de Algodão Colorido (Foto por Sérgio Cobel da Silva)

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Jacqueline Passos

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