ONGs e voluntários atuam em defesa dos gatos abandonados

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Colo, carinho, comida, brincadeiras. Esses são apenas alguns dos variados gestos e providencias que fazem muita falta aos gatos abandonados nas ruas de Piracicaba.  Uma grande quantidade sofre por maus-tratos, fome, frio e carência de cuidados, sendo poucas as pessoas que se dispõem a ajudá-los.

Segundo os dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), os gatos compõem um terço dos 30 milhões de animais abandonados nas ruas do país. E esse número tende a crescer, principalmente dos gatos, devido à grande taxa de procriação.

Neste cenário, as ONGs, entidades e protetores independentes se dispõem a auxiliá-los na alimentação, medicação, castração, e claro, os enchem de carinho até acharem um novo lar. Uma dessas pessoas é a presidente da ONG Amantes de Gatos, Andrélia Margoni.

Ao ver a grande quantidade de gatos nas ruas e constatar falta de ONGs e/ou protetores para eles, Andrélia iniciou seu projeto há sete anos. “Eu resolvi cuidar dos gatos de rua por conta da necessidade. Eu via muitos animais abandonados e, na época, existiam mais ONGs e protetores de cachorros; eram poucas as direcionadas à proteção dos gatos”, explica a cuidadora.

Gatos disponíveis para adoção (Foto: Mariana Marzocchi)

Com o objetivo de reduzir a população de gatos nas ruas, a rotina dos voluntários da ONG é diária. Eles lidam exclusivamente com gatos doentes ou machucados e atuam 24 horas por dia. Na maioria das vezes, as pessoas levam os animais até a ONG, pois, de acordo com Andrélia, o transporte ainda é uma das dificuldades que enfrenta.

Ao chegarem lá, os gatos são imediatamente encaminhados ao veterinário para receberem o tratamento necessário. Em seguida, quando estão totalmente recuperados, são castrados e levados à adoção. Hoje, a ONG tem um abrigo com uma média de 100 gatos, entre jovens e adultos, todos vacinados, castrados e disponíveis para adoção.

A presidente conta que um dos maiores desafios da organização é manter os animais saudáveis, bem cuidados e alimentados. “Temos que fazer campanhas, eventos beneficentes e vender rifas para conseguirmos recursos para ração, vacinas, medicamentos e consultas ao veterinário”. Um dos eventos é o Domingo Doce, tradição da ONG desde 2012. No evento, além de disponibilizarem os animais à adoção, vendem doces e objetos artesanais.

Outro desafio enfrentado pela organização é manter os voluntários na ONG. “Na maioria das vezes, as pessoas entram pensando algo e se surpreendem, seja com a situação que os gatinhos chegam ou com todo o trabalho que precisam realizar. Nisso, acabam abandonando a organização”.

Andrélia explica que o processo de adoção de gatos envolve ainda muitos tabus e falta de compreensão por parte das pessoas. Segundo ela, sempre foi difícil as pessoas aceitarem os gatos como animais domésticos, pois muitos acreditavam que eles traziam doenças, que eram ariscos ou complicados de se domesticar. Isso gerava um grande obstáculo na hora da adoção.

Mas, a ONG atua para mudar o quadro e hoje, com todo esse apoio, campanhas e cuidados dos protetores, mais gatos estão recebendo um lar. “Embora ainda seja muito difícil, hoje, a aceitação do gatinho em casa é muito melhor”, observa.

Evento Domingo Doce da ONG Amantes de Gatos (Foto: Mariana Marzocchi)

A médica Veterinária Elis Regina Zafalon, observa que mesmo com toda essa ajuda aos gatos e campanhas contra o abandono, não tem notado diferença significativa no quadro. “A quantidade de gatos abandonados nas ruas continua muito grande, mesmo com campanhas, ações e castrações”, destaca.

Veterinária de uma clínica de baixo custo, ela destaca a carga emocional que precisa ter quando o animal resgatado está muito debilitado. “Cerca de 50% dos gatos que chegam aqui estão muito debilitados. Chegam num estado deplorável. Com doenças difíceis de serem recuperadas”, conta. No entanto, para ela o trabalho que realiza é gratificante.

“Mesmo sendo um trabalho ‘limitado’, devido à falta de recursos, eu sinto que realmente estou contribuindo para a saúde deles.  Me sinto realizada e sei que estou fazendo o bem tanto para o bichinho quanto para seu dono, que não pode tratá-lo em alguma clínica normal”, finaliza.

Responsabilidade

Gatos ‘noivinhos’ no casamento de Leonardo

O ato de adotar é uma alternativa que substitui a compra de animais e também uma atitude de extrema responsabilidade e comprometimento com a vida do animal. Sabendo disso, o engenheiro Leonardo Formaggio, que havia adotado seus gatos (Lisa e Hug) em Piracicaba e estava sendo transferido para Londres por conta do trabalho, mesmo ouvindo de seus familiares e próximos a ideia de deixá-los no Brasil, levou toda a família junto: sua esposa Sâmea, Lisa e Hug.

Lisa e Hug (Foto: Leonardo Formaggio)

No início de 2014, Leonardo e Sâmea estavam há três meses de seu casamento e adotaram dois gatos, Lisa e Paçoca. No grande dia, os dois irmãos até participaram do casamento, sendo os ‘noivinhos’, levados até o altar com as alianças dentro de uma cesta. Um pouco antes de Leonardo ser transferido para Londres, Paçoca acabou falecendo e então o casal adotou outro filhote, o Hug.

Com toda a família unida em Londres, o engenheiro foi transferido novamente, dessa vez para São Francisco, na Califórnia, se mudando, claro, com todos.

“Adotar um animal é um ato de extrema responsabilidade, é uma vida que você assume. Enquanto tivermos condições, a possibilidade de abrir mão deles simplesmente não existe, não importam as circunstâncias”, afirma Formaggio.

Tanto o abandono quanto os maus-tratos aos animais, além de outras atrocidades cometidas pelos seres humanos, são consideradas crimes. Conforme a Declaração dos Direitos dos Animais, todo ato que põe em risco a vida de um animal é considerado crime contra a vida e todos eles têm direito a respeito e proteção do homem. Esses e os demais direitos dos animais devem ser defendidos por lei.

Os animais abandonados são de total responsabilidade do governo. Entretanto, não recebem toda a atenção que necessitam e diante disto as ONGs desta área pedem continuamente por maior atenção e mais políticas públicas, mas o atendimento fica aquém das necessidades.

 

 

 

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Mariana Marzocchi

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