Os porcos, os estúpidos e a atuação da imprensa econômica internacional

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Não é de hoje que a economia mundial e seus representantes na mídia vêm gerando uma série de neologismos. Após o fenômeno do acrônimo BRIC, sigla que contempla os quatro principais países em desenvolvimento no mundo (Brasil, Rússia, Índia e China), as expressões PIIGS e STUPIIDS são os novos modos do mercado financeiro mundial a se referirem aos países com retração na atividade econômica. Muito criativo, mas pouco eficaz no tratamento das informações econômicas desses países.

A sigla PIIGS remete-se, respectivamente, aos países de Portugal, Irlanda, Itália e Espanha (Spain), enquanto o mais novo termo STUPIIDS se relaciona a outras nações também com dificuldades econômicas. Seguindo a ordem do termo, são elas Espanha (Spain), Turquia, Reino Unido (United Kingdom), Portugal, Irlanda, Islândia e Dubai.

Em comum, todos esses países ainda estão tendo problemas de retração na atividade econômica, de endividamento interno e externo, déficits, etc. Em menor ou maior intensidade, se apresentam com a economia desestabilizada e até mesmo, no caso da Grécia, à beira de um colapso.

A origem desses problemas se deve, principalmente, à inclusão de algumas dessas nações na União Europeia. Ao serem integrados, era evidente que não podiam se equiparar do ponto de vista da força econômica a países como Alemanha, Inglaterra e França.

Mesmo assim, para potencializar suas possibilidades de lucros, esses países permitiram e incentivaram o ingresso dos PIIGS no bloco europeu, e de maneira plena, com a adoção de moeda única, o Euro, além de diminuição ou até mesmo eliminação de barreiras alfandegárias.

Não conseguindo manter a paridade frente aos demais países, o grupo conhecido como PIIGS começou a apresentar sinais de desgaste econômico, propulsionados pela crise originada nos Estados Unidos.

Como a corda sempre arrebenta antes para os mais fracos, sobrou para os porcos as cinzas da explosão da bolha imobiliária norte-americana, que gerou toda a retração econômica mundial. Sobrou até mesmo para economias fora do eixo do euro, como Dubai, que pediu, já em 2009, mais tempo para pagar suas dívidas.

Considerando a cobertura da imprensa internacional da crise mundial, pode-se avaliar que alguma coisa podia ter sido feita antes. No caso dos Estados Unidos, o que eram apenas informações para altos investidores, se transformou, com o auxílio da imprensa e por meio da ignorância dos potenciais investigativos, uma crise que tirou o emprego e as residências de muitos cidadãos, que, marginalizados do economês e de sua aparente, porém inexistente austeridade, queriam apenas manter seus empregos e sustentar suas famílias, e muitos acabaram sem poder fazer nem isso. Não se tratava de antecipar a crise, mas de investigar indícios que poderiam minimizar o estrago das economias mundiais.

No âmbito europeu, podemos dizer que a atuação da imprensa econômica nessa situação foi do mesmo caráter do da crise norte-americana. Desatentos aos indícios de problemas econômicos dessas nações, a mídia de uma forma geral não se atentou aos fatos, como o crescente endividamento interno dos países e sucessivas quedas nos indicadores econômicos dessas nações.

Novamente, a imprensa se valeu principalmente pelas avaliações de títulos de dívidas desses países, que só foram rebaixadas quando já era de conhecimento mundial a degradação dos sistemas econômicos dessas nações. O funcionamento do jornalismo econômico, nesse caso, novamente deixou a desejar, uma vez que a imprensa não esteve disposta a investigar de maneira pontual os indícios e não esteve atenta aos fatos da maneira como deveria.

A investigação de sinais de enfraquecimento dos sistemas econômicos dessas nações poderia contribuir para atenuar os efeitos das crises nesses países, que estão enfrentando problemas como o desemprego, a diminuição na atividade industrial, a escassez de crédito para pessoas físicas e empresas, a diminuição de investimentos estrangeiros e a necessidade de ter que recorrer a empréstimos junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Banco Central Europeu (BCE) para poder garantir o mínimo de fluidez nos respectivos sistemas econômico-financeiros. Novamente, os trabalhadores de baixa renda foram prejudicados nesse paradigma.

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Saulo de Assis Saes Neto

Graduando em Comunicação Social: Habilitação em Jornalismo pela Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP). Contato: neto03@gmail.com

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