Ostomia: uma deficiência invisível

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Bolsas usadas pelos ostomizados (Foto: Divulgação/Ortopédica Bralit)

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“Constrangimento eu passo a cada dia quando saio de casa”, é o que diz a professora Izabela Pavan, 30, que há 2 anos enfrentou um câncer no reto baixo, e depois que passou por uma cirurgia de ostomia – intervenção cirúrgica que permite criar uma comunicação entre o órgão interno e externo, com a finalidade de eliminar dejetos do organismo – vive a difícil realidade da falta de adaptação em banheiros públicos.

“Eu tenho uma deficiência que não é visível, então as pessoas não sabem. Às vezes, minha necessidade é maior que a de um idoso, por exemplo, quando entro em uma fila preferencial, na maioria das vezes os idosos vêm questionar o porquê estou naquela fila, então tenho que expor minha bolsinha e isso me coloca em situação vexatória”, complementa Izabela.

Mas o que é ostomia?

São pessoas que utilizam um dispositivo, geralmente uma bolsa, que permite recolher o conteúdo a ser eliminado através do ostoma. O fato de ser portador de um ostoma faz com que o paciente tenha que se adaptar a esta nova situação. No entanto, uma vez superada a etapa inicial, pode-se levar uma vida normal no trabalho, entre amigos e familiares.

“Hoje me sinto um pouco mais confortável e com muita força para lutar pela minha causa”, diz a professora.
Em casos de câncer, como o caso de Izabela, o reto precisa ser parcialmente ou totalmente extraído. Faz-se um estoma ligando a extremidade do intestino preservando a pele. É normal, nesses casos, a aplicação de uma bolsa de colostomia para o recolhimento de fezes.

Izabela conta também a situação mais vexatória pela qual passou. Quando foi ao cinema e não pode ver o filme, porque havia se sujado e não tinha local adaptado para se limpar. “Já fui mais de duas vezes ao local onde as pessoas fazem sugestões, mas acho que a minha não tinha muita importância”, desabafa.

Segundo a Secretaria da Ação Cultural de Piracicaba, logo após o Engenho Central receber banheiros adaptados, a Pinacoteca, biblioteca e futuramente os centros culturais da cidade vão receber adaptações para pessoas ostomizadas. “Estamos fazendo por partes, porque entendemos que qualquer inclusão é importante para fazer com que nossa cidade seja cada vez melhor com muita qualidade de vida, cultura, esporte e turismo”, diz a secretária Rosângela Camolese.

Projeto de lei garante direito dos ostomizados

Se mostrando sensibilizado pela luta dos ostomizados, o vereador de Piracicaba, Pedro Kawai (PSDB), protocolou em julho deste ano um terceiro projeto de lei que, segundo o vereador, destina garantir aos ostomizados atendimento preferencial em estabelecimentos comerciais, em cumprimento ao decreto federal 5.296/04, que considera a pessoa ostomizada portadora de deficiência física.

De acordo com Kawai, o primeiro projeto dispõe sobre a reserva de vagas de estacionamento para pessoas ostomizadas destinando 2% do total de vagas existentes às pessoas ostomizadas. Outro projeto, aprovado em outubro, atende ao pedido de pacientes para garantir às pessoas ostomizadas o fornecimento de documento de identificação. Para o vereador, “o projeto evitará que as pessoas ostomizadas se sujeitem a situações vexatórias em bancos, supermercados e outros estabelecimentos em que o paciente tem muitas vezes que exibir a bolsa de ostomia para atendentes”. Para receberem o documento de identificação, os interessados deverão estar cadastrados no Programa de Atendimento de Pacientes Ostomizados e Incontinentes.

Projeto de vereador Kawai que prevê identificação aos ostomizados é aprovado (Foto:Reinaldo Diniz)

Projeto de vereador Kawai que prevê identificação aos ostomizados foi aprovado (Foto:Reinaldo Diniz)

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2 COMENTÁRIO

  1. Muito importante divulgações como esta, pois como eu, graças ao bom Deus, não enfrento e espero nunca ter que enfrentar este tipo de problema, muitas pessoas assim também como eu, nem sequer se lembram dos que passam por isso, e ainda mais importante do que as divulgações é que se priorize as medidas como as acima citadas proporcionando um pouco mais de conforto e menos constrangimento aos portadores destes problemas já tão penalizados.

  2. Gostaria de saber como adquirir esse documento, minha mãe usa a bolsa de ileostonia e não foi informada de documento.
    E sobre o transposte urbano ela paga tbm ?

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