Pais têm dificuldades para matricular filhos com deficiência

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“Desculpe, não estamos preparados”. É assim que pais de crianças especiais são recebidos ao tentar matricular os filhos em algumas escolas em Santa Bárbara d’Oeste. Embora a Constituição Federal garanta ao deficiente o direito de frequentar a rede regular de ensino, muitos pais ainda enfrentam dificuldades.

Rosana Silveira passou recentemente por isso. Ela procurou três escolas para matricular o filho Caio, quatro anos, que tem síndrome de Down e só uma o aceitou. “Sempre falam que a escola não tem estrutura para cuidar dele e que caso aparecesse alguma vaga eles me chamariam futuramente”.

Para a especialista em educação especial e neuropsicopedagoga Daniela Alonso, não basta que a escola tenha espaços adaptados, garanta um lugar na sala de aula e promova uma integração com os colegas. É preciso compreender o verdadeiro sentido da inclusão, por parte de todos os responsáveis pela instituição e acolher, garantindo a todas as crianças e jovens o acesso à aprendizagem por meio de todas as possibilidades de desenvolvimento que a escolarização oferece, tendo consciência da diversidade que é própria de todo ser humano e suas limitações.

Foi o que aconteceu com Rosana. Mesmo sabendo que tinha o direito de lutar na Justiça por uma vaga para Caio em qualquer estabelecimento, ela preferiu procurar um que o acolhesse. “Em outra cidade, uma escola me disse que lá não era o melhor lugar para meu filho, pois eles não estavam preparados. Como você vai colocar seu filho num lugar assim? Isso é muito doloroso”, lamentou. “Não quero obrigar a escola a aceitá-lo porque um juiz determinou, preferi procurar uma escola que o aceitasse de verdade”, disse a dona de casa.

Professora de publicidade e propaganda, Karla Amaral também passou por situações assim. Ela é mãe do Mikael, 21 anos, que é autista e portador de uma esclerose no hipocampo esquerdo. “O Mikael sempre estudou em escolas especiais, mas começamos a perceber que isso não era suficiente para o seu desenvolvimento e resolvemos colocá-lo em uma escola regular. Procuramos várias, até mesmo de pessoas conhecidas, porém alegavam ser difícil, pois não havia quem pudesse acompanhá-lo”, contou a mãe.

Para Karla, existe lei para tudo, porém poucas são cumpridas. “O governo não fiscaliza, isso só acontece quando têm uma ação judicial que garante o cumprimento da lei por obrigação, o que não é bacana, pois tudo que acontece na marra é muito complicado”, contou. “A Inclusão só será efetiva quando houver mudança de comportamento, quando os profissionais pedagógicos se colocarem no lugar do deficiente e criarem uma consciência de que têm que acontecer não porque existe uma lei, mas sim por que isso faz parte de um processo natural e que todos têm direito de desenvolver suas habilidades”.

Segundo a especialista escola inclusiva é aquela que garante a qualidade de ensino a cada um de seus alunos, reconhecendo e respeitando a diversidade e respondendo a cada um de acordo com suas potencialidades e necessidades. “Não basta que a escola receba a matrícula de alunos com necessidades educacionais especiais, é preciso que ofereça condições para colocar em prática um projeto pedagógico inclusivo”, enfatizou.

De acordo com os dados disponibilizados pela Secretaria Municipal de Santa Bárbara, existem hoje 210 crianças com diferentes deficiências matriculadas na rede regular de ensino municipal.

A assistente social Cássia Rabelo avalia que a inclusão não é uma tarefa fácil, mas sem dúvida é possível. “As escolas não estão adaptadas, nem profissionalmente, nem pedagogicamente, e tudo isso por comodidade, por que praticar a inclusão implica mudar todo um comportamento, seja ele físico, social ou pedagógico. A partir do momento que todos tiverem consciência de que isso faz parte de uma sociedade democrática e comprometida com o respeito aos cidadãos, teremos uma nova perspectiva de realidade”, ressaltou.

 


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Patricia Amorim

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