Palhaços que transformam vidas

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Palhaço Tico Toco e suas peripécias. (Foto: Acervo Pessoal)

Katina Sousa, mais conhecida como Edufina, conta que nunca havia achado a menor graça em palhaço, tinha um certo receio até. A imagem, entretanto, mudou completamente após adoecer e ficar um período hospitalizada. O contato com palhaços voluntários não só mudou a sua percepção, como a fez abraçar a atividade.
Hoje, após muitos anos exercendo a profissão, inclusive com deslocamento para diferentes estados do país, não se vê fazendo outra coisa. Ela brinca com a situação e comenta que não foi ela que escolheu a profissão. “Foi a profissão de palhaço que me escolheu”, diz.
No início, Katina passou por várias dificuldades, entre elas o preconceito. “Você chega para a sua família e fala, quero ser palhaça. Normalmente os pais querem que seus filhos sejam médicos, enfermeiros, a arte não é valorizada”. Mas, segundo ela, o primeiro impacto é superado e com o tempo todos se acostumaram com a ideia e aceitam a opção.
Uma das experiências mais impactantes que a artista viveu foi viajar para o Estado do Amazonas, durante o ano de 2012, quando visitou dez comunidades indígenas. “Muitos nunca tinham visto um palhaço, mas eles associavam ao engraçado”, conta.
Ela lembra que passou fome durante os 18 dias em que esteve visitando as comunidades indígenas, pois as condições eram precárias. Apesar disto, tem certeza que valeu a pena, pois a sua presença ajudava muito na aceitação dos cuidados médicos. “Quando os médicos chegavam sem os palhaços, era difícil o acesso com os índios”, explica. Ela relata que a Edufina conseguiu fazer humor mesmo não falando a mesma língua, apenas com os gestos, o olhar, a forma de andar. “Foi a experiência mais forte que eu já vivi”, garante.
E não foi só nas tribos que a palhaça mostrou a sua graça. Ela visitou o Peru e a Venezuela, e deu oficinas em Maceió. Atualmente, a artista também trabalha com formação de palhaços. Ela recebe uma verba do ProAC (Programa de Ação Cultural), da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, através de um edital voltado à formação de novos palhaços.
O seu colega de trabalho Bruno Peruzzi, 28 anos, mais conhecido como Tico Toco também escolheu a profissão de palhaço através de uma frustração, depois de uma decepção com a namorada. Ele ficou com a auto estima rebaixada, e resolveu procurar algo para se sentir melhor. “Sempre admirei o trabalho dos palhaços em hospitais, comecei a pesquisar, me inscrevi para fazer parte da medicina do riso e foi aonde me encontrei”, relata.
Na época, Tico cursava Análise de Sistemas, em Americana, e foi se distanciando da área para trabalhar com a arte. “O palhaço pode mudar o mundo, eu sempre quis fazer algo pelas pessoas, tirar um sorriso de alguém, mesmo só por alguns instantes. É muito gratificante, me motiva a trabalhar com mais amor”, conta. Ele trabalha em festas infantis, casamentos, confraternizações e hotéis e atua há oito anos como palhaço.
Outro palhaço que também iniciou com trabalho voluntário e continua atuando até hoje é o Wesley Zoppe, 36 anos, que prefere ser chamado de Dr. Pintado. A fonte de inspiração foi o seu avô, um senhor muito bem humorado. “Ele brincava com todo mundo, e todos gostavam dele, eu achava legal o jeito que ele levava a vida ”, conta.
Ele explica que se apaixonou pela arte quando foi ao circo pela primeira vez, aos cinco anos de idade. Na sua opinião, o circo sempre remete à fantasia e ao lúdico. “O palhaço fazia tudo que os outros artistas faziam, malabares, trapézio, só que de um jeito engraçado”, lembra. E completa: “Na verdade ele precisava de uma referência, ele aprende o correto, para depois fazer de uma forma cômica, a piada é uma referência ”.

Palhaça Edufina viveu experiências na Amazônia. (Foto: Acervo Pessoal)

Atualmente, o Dr. Pintado realiza eventos em empresas e escolas, juntamente com o amigo Douglas Domiciano, 30 anos, conhecido como palhaço Kyndim. A dupla montou a Clowntopia, uma empresa que presta serviço educativo – e engraçado, é claro – em eventos e palestras. Eles normalmente abordam temas relacionados ao folclore e ao stress no trabalho.
Kyndim é palhaço e professor de Geografia. “Bom, sou palhaço o tempo todo, porque professor é palhaço”, brinca o docente, que ministra aulas para crianças entre 10 e 17 anos em um colégio em Americana. “Eu sempre tento ensinar com muito humor e mostrar o lado bom de estudar”, explica.
O palhaço conta que iniciou a atividade como voluntário por influência de sua namorada na época. Hoje em dia não faz mais parte do projeto, devido à falta de tempo, porém não abandonou a arte e atua junto com o Dr. Pintado. “Sempre tive um flerte por teatro, hoje isso faz parte de mim, ser palhaço é receber um sorriso e conseguir mudar o dia de alguém. O mundo precisa de mais humor, para deixar a vida mais leve, senão tudo fica muito chato”, afirma.
O nome Clowntopia é uma junção das palavras Clown, palhaço em inglês, com utopia. Nasceu por que os sócios achavam que nunca iriam conseguir colocar em prática o projeto. “Era uma ilusão, e no fim, deu certo”, diz o Dr. Pintado. Atualmente, a empresa atende, em média, um evento por semana.

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Daiany Oliveira

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