Pantanal Piracicabano é tema de trabalho de fotojornalismo

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Alunos do sexto semestre de Jornalismo da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), apresentaram dia 29 de outubro um trabalho sobre o bairro Tanquã, elaborado inicialmente para a disciplina de Fotojornalismo. A apresentação integrou a 13º Mostra Acadêmica da universidade.

Solicitado e orientado pela professora Joyce Guadagnuci, cada grupo montou um coletivo fotográfico sobre um tema. O bairro Tanquã em Piracicaba foi o escolhido pelos alunos, que se basearam no estilo de fotografia e vídeo dos coletivos Cia de Foto, Nórmada e Encontraste. Segundo os estudantes Beatriz Martins e Reinaldo Diniz, o objetivo do trabalho era mostrar ao público um pouco do “pantanal piracicabano” presente no local, além de alertar sobre um possível projeto de barragem no Rio Piracicaba, que poderia inundar toda a região e tirar as 15 famílias que vivem lá.

O coletivo do grupo resultou numa galeria de fotos e vídeo mostrando a beleza natural da fauna e flora de Tanquã, além do ambiente habitado pelas famílias à beira-rio, o cotidiano deles e histórias de vida sobre o local. Isso causou uma convergência de mídias inspirado nos coletivos escolhidos, buscando fugir de uma apresentação convencional, com um conteúdo híbrido, adicionando a junção de entrevistas e a passagem do tempo, do dia para noite no Tanquã.

PARAÍSO PIRACICABANO
O Tanquã é um vilarejo que possui dezenas de moradias à beira-rio, proporcionando a pesca como principal meio de sobrevivência aos moradores do bairro. Por ser bem distante do centro de Piracicaba, muitos conterrâneos nunca foram ao local ou nem sabem de sua existência. O lugar foi se constituindo popularmente quando uma população menos favorecida de Santa Maria da Serra e Anhembi, resolveram começar um pequeno povoado em Tanquã. Até hoje, a economia dessas pessoas continua a mesma, porém conforme as entrevistas apresentadas, todos se dizem apaixonados pelo lugar e não gostariam de mudar dali e ter que escolher um estilo de vida diferente.

O projeto de construção da barragem em Santa Maria da Serra, que faria aumentar o volume do Rio de Piracicaba para torná-lo navegável, divide opiniões há mais de 20 anos. Isso porque com a construção, o rio inundaria toda a área rural de Tanquã, forçando a população a abandonar suas vidas no local. Não só a população, mas toda a área verde preservada confohecida como Minipantanal Paulista seria prejudicada, tornando-se completamente inabitável. Segundo os palestrantes, em julho desse ano, saiu uma decisão de que a barragem não será construída por enquanto.

Após conhecerem os moradores locais, o grupo descobriu que há mais pessoas que moram lá por poucos anos, do que as pessoas que moram várias décadas. Isso fez refletir sobre o motivo pelo qual essas pessoas largaram a vida completamente agitada da cidade para se mudar para o Tanquã, onde todos vivem principalmente da pesca. A tranquilidade e simplicidade do local ainda encanta muita gente apesar de não parecer, e com esse trabalho, o grupo conseguiu despertar o interesse de pessoas da cidade em ir conhecer o local, que para muitos era desconhecido até antes da apresentação.

“Mostrar um pouco desse paraíso piracicabano que poucos conhecem e alertar sobre a represa foram os dois principais pontos que nos influenciaram a fazer sobre o Tanquã”, disse Beatriz Martins, que produziu e visitou o local para o trabalho. A apresentação gerou interesse em muitos de defender a causa dos moradores contra a contrução da barragem, a fim de manter toda a bagagem histórica dos moradores e a rica natureza do Tanquã.

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