Parada Poética reúne músicos, escritores e amantes da poesia em Nova Odessa

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Em noites de segunda, com poesias de primeira, a Parada Poética vem trazendo oportunidades para anônimos, e outros um tanto conhecidos, expressarem suas opiniões sobre amor, amizades, direitos sociais, e quantos diversos assuntos você conseguir imaginar, para quem quiser ouvir.

A 32ª edição da Parada aconteceu no dia 9 de novembro, como de costume, na Estação Ferroviária de Nova Odessa. Renan Inquérito, rapper e um dos responsáveis pelo evento, abriu os trabalhos com parte da poesia que descreve o significado de todo o rolê. “Serviremos palavras cruas, para que cada um prepare-as à sua maneira. Teremos rimas refogadas, sonetos assados, músicas à milanesa, poesias à bolonhesa, contos à carbonara e crônicas à dorê. Versos fritos também acompanham. Uma porção de gente, servida de vontade. Mas por favor, não me venham com poesias requentadas, enlatadas, tampouco de micro-ondas. Queremos rimas precisas, porque o povo precisa! Um lugar para maltratar a gramática e jogar a culpa na licença poética. ”

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Renan Inquérito (Foto: Murillo Gomes)

 

Na sequência, começaram as apresentações, levando ao microfone diversos personagens que constroem as noites da Parada Poética com suas poesias espontâneas, decoradas, de autoria própria ou até mesmo uma interpretação. De Cecília Meireles a Charles Bukowski, passando por poemas de amigos, e até uma história de um escritor que viaja de São Paulo ao Piauí a pé. Todos receberam suas homenagens, de forma simples, singela e direta. Alguns declamavam poemas românticos, outros contavam histórias pelas quais haviam passado. Outros, com críticas sociais. Racismo, feminismo, desgoverno dos governantes, e até músicas foram recitadas. Demonstrações de amor, carinho, respeito, e raiva também, como na poesia de Alef, de Limeira, em que Cláudia Ferreira da Silva, mulher que foi baleada e arrastada por um carro da Polícia Militar do estado do Rio de Janeiro em 2014, foi homenageada. Quem faz a Parada Poética acontecer e a leva para determinados caminhos, é o próprio público.

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Samuel Borges, poeta convidado da edição (Foto: Murillo Gomes)

Com duas horas de apresentações, dezenas de pessoas passaram pelo microfone da Parada. Entre alguns um pouco mais velhos, e duas garotas de cinco e seis anos, respectivamente, Samuel Borges, poeta convidado da edição, falou sobre seu livro chamado “Há Mar no Asfalto”, lançado em 2015, e sobre seu projeto, que leva o mesmo nome. O projeto consiste em abordar pessoas que estão em ‘situações de espera’, como em filas de banco, pontos de ônibus e filas para visitações em penitenciárias, conversar com tais pessoas, ler um trecho do livro e oferecê-lo a elas. “Eu tive a necessidade de levar este livro às pessoas que não estão neste circuito (da poesia), e que talvez não leiam poesias. A ideia é romper estes locais onde a poesia é comum, e tentar levar o livro e a poesia para dialogar com a vida destas pessoas”. É possível ajudá-lo em seu projeto através de sua campanha de arrecadação no site Banque.

A Parada Poética consiste, principalmente, em ser um evento alternativo para a região, e dar oportunidade para qualquer pessoa apresentar um trabalho autoral, ou apenas uma poesia pela qual tenha gosto. Não é feita majoritariamente por profissionais, mas é feita, especialmente, para o público. Para Renan Inquérito, a Parada é também uma forma de “colocar Nova Odessa no mapa”, levando pessoas de outras cidades para o evento, e contando com convidados de alta qualidade do meio poético.

 

A PARADA NÃO PARA!

Todos os meses, na 2º segunda-feira do mês, a Parada está na Estação Ferroviária de Nova Odessa. A entrada é franca, porém, a “entrada sugerida” é de 1 kg de alimento, que é encaminhado para diferentes instituições da região.

Em determinados casos, o evento é levado para algumas cidades próximas, mas já passou, inclusive, por outros estados brasileiros.

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Foto: Murillo Gomes

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Murillo Carvalho Gomes

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