Piracicaba recebe mais de mil veículos por mês desde 2012

Congestionamento Gov.
Na rua Governador Pedro de Toledo, no Centro, a fluidez é mínima (Foto: Rodrigo Alonso)

A cada dia, nota-se que os piracicabanos reclamam mais sobre o trânsito da cidade, e a razão quase sempre é a mesma: a lentidão no tráfego de veículos. Percorrer o município não é uma tarefa fácil, principalmente quando se passa pela região central nos horários de pico, e a justificativa está no número de automóveis em circulação.

Em 2013, a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Saede) divulgou que havia 2,31 habitantes por veículo em Piracicaba, cerca de 5% a menos em comparação ao ano anterior. Segundo o Detran (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo), a frota de automóveis na cidade era de aproximadamente 286 mil em fevereiro de 2015.

De fevereiro de 2012 até o mesmo período deste ano, o número de veículos teve um aumento médio de 1.067 por mês. Conforme a última planilha divulgada pelo Detran, em fevereiro de 2015, havia 59.344 ciclomotos, motonetas, motociclos, triciclos e quadriciclos; 34.317 micro-ônibus, camionetas, caminhonetes e utilitários; 170.952 carros; 1.557 ônibus; 10.848 caminhões e tratores; 8.809 reboques e semirreboques; e 167 veículos variados.

Segundo o secretário municipal de Trânsito e Transportes, Jorge Akira, existe ainda mais um fato que dificulta o tráfego em Piracicaba: a quantidade de rodovias que estão ligadas à cidade. Ao todo, o município tem conexão com nove: Luiz de Queiroz (SP-304), Geraldo de Barros (SP-304), Comendador Mario Dedini (SP-308), Hermínio Petrin (SP-308), Cornélio Pires (SP-127), Fausto Santomauro (SP-127), Samuel de Castro Neves (SP-147), Deputado Laércio Corte (SP-147) e Margarida da Graça Martins (SP-135).

“Hoje, temos muitos veículos de passagem. O pessoal que vem de Anhembi, por exemplo, Anhumas ou Tietê praticamente tem que entrar aqui para ir a outra cidade. E isso vem ajudar a complicar o trânsito”, afirma. De acordo com Akira, o problema será amenizado após a conclusão das obras do Anel Viário, prevista para o fim de 2015. O trecho interliga as rodovias Comendador Mario Dedini, Luiz de Queiroz, Deputado Laércio Corte e Fausto Santomauro. A expectativa do secretário é de que diminua em 25% o número de veículos de passagem pela região leste de Piracicaba.

Para o vice-presidente do Sindicato dos Taxistas de Piracicaba, Milton Pessin Lara, também faltam habilidade e disciplina aos motoristas da cidade, e isso prejudica a fluidez do trânsito. “Precisa de uma educação na qual respeitassem um pouco a placa ‘pare’, andassem pela direita. O pessoal segura muito, anda no meio da rua, e o trânsito fica lento. Se andassem pela faixa certa, ficaria mais fácil”, diz.

Confira no áudio abaixo uma entrevista com Akira sobre as providências tomadas pela Semulttran com relação ao aumento na frota de veículos em Piracicaba:

ACIDENTES

Akira
Jorge Akira, secretário de Trânsito e Transporte (Foto: Rodrigo Alonso)

Curiosamente, o crescimento constante na frota de veículos em Piracicaba não elevou a quantidade de acidentes com vítima no perímetro urbano. O último aumento foi constatado em 2011, quando 5,2 mil ocorrências foram registradas de acordo com a Semuttran, enquanto houve 5 mil casos no ano anterior. Desde então, o número só diminuiu. A cidade teve 4,8 mil acidentes com vítima no trânsito em 2012 e 4,7 mil em 2013.

Quanto a 2014, não existe o dado de dezembro no site do Ipplap (Instituto de Pesquisas e Planejamento de Piracicaba), pelo qual a secretaria divulga as informações. Porém, a queda dessa estatística pode ser detectada com base nos 11 meses anteriores. Entre janeiro e novembro, 3,8 mil ocorrências foram registradas. O número somente seria superior em comparação a 2013 se 910 casos tivessem acontecido em dezembro. Entretanto, nos últimos dez anos, o mês que teve a maior quantidade de acidentes com vítima foi maio de 2011, com 555.

“Para que houvesse essa diminuição no número de acidentes, fizemos um trabalho muito forte em três principais ações. A primeira é relacionada a obras, o segundo pilar é a questão da fiscalização e o terceiro item é as campanhas de conscientização no trânsito. Temos um dos menores índices de acidentes com vítima dentro da malha urbana. Agora, se considerarmos as estatísticas do município englobando as nove rodovias, o nosso índice vai lá para cima”, relata Akira. “Não contabilizamos as rodovias porque são de responsabilidade do governo do estado”, informa.

Por outro lado, o aumento na frota de veículos dificulta cada vez mais o trabalho de quem frequenta o trânsito, principalmente de motoristas de táxi e ônibus.

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