Poço de Jacó: companheirismo e apoio

Localizada no bairro Unileste, a Casa de Acolhida da Aliança de Misericórdia, com nome de Poço de Jacó, recebe homens dispostos a mudar de vida (seja sair da vida na rua, dos vícios, etc), entrando e conhecendo o mundo cristão.

Kleberson Giovanni Guerreiro , 28, recepcionista e voluntário na casa, ajuda e tenta auxiliar moradores de rua desde 2008. Ao conhecer um casal também voluntário, decidiu entrar de cabeça no projeto e mudar-se para São Paulo.

Abandonou a cidade em 2010, e em São Paulo fez a formação, escola de evangelização.   Ao final do curso foi destinado a participar da Pastoral de Rua, onde os missionários (ao todo, 17 pessoas) levam apenas um cobertor e dormem na rua, como se fossem moradores de rua.

Segundo Guerreiro, a época em que fez este trabalho em São Paulo “foi o céu”. Durante o serviço, teve que retornar para Piracicaba, pois sua mãe não conseguiu ficar muito bem morando sozinha, já que moravam apenas ele e ela em Piracicaba.

Ao retornar, começou a ajudar diretamente às casas. Ele conta que, na maioria dos casos, os “filhos” (assim são chamados na comunidade) são quem procuram as casas, pois sabem onde ela fica e como funciona o trabalho realizado por eles.

Nas casas existem três fases para cada um que se dispõe em mudar de vida: a triagem, a casa de acolhida e a reinserção.

Durante a triagem eles fazem todos os exames médicos, são auxiliados nas mudanças de hábitos e linguajar e, após a regularização dos documentos, ficam prontos para começarem o trabalho nas Casas de Acolhida.

Já na Casa o trabalho é um pouco mais longo, podendo durar 1 ano ou mais. Nessa etapa eles trabalham a parte espiritual, ensinam e fazem com que todos cuidem da casa (trabalho laboral) – ocupando a mente deles – e são acompanhados pelos missionários que ajudam a aumentar a moral de cada morador.

Ao completar um ano na Casa de Acolhida, o filho pode escolher se continua na casa; se não achar que está preparado para sair dela, pode permanecer. Outras opções são:

  • Trabalhar para a comunidade como voluntário ou
  • Ser reinserido na sociedade, como um trabalhador.

Caso opte pela última alternativa, ele irá ajudar com as despesas da Casa, aprendendo o que é pagar aluguel e a administrar o seu próprio dinheiro, se o filho decidir continuar morando na Casa. Mesmo após a reinserção, continuará a colaborar com as despesas.

Segundo Guerreiro, essas situações do filho querer continuar na casa acontecem quando eles não têm o apoio da família ou sabem que se voltar para as ruas, ou para as cidades onde moravam, poderão voltar a usar drogas. Para que isso não aconteça, as portas sempre ficam abertas para quem desejar morar ali.

Na Casa de Acolhida da Aliança de Misericórdia, situada no bairro Unileste, ao todo são 13 missionários. Eles vêm de todas as partes do Brasil, deixando para trás famílias e casas, dedicando toda a vida para o trabalho e ajuda ao próximo.

De acordo com Guerreiro, atualmente em Piracicaba o número de moradores de rua está baixo graças a um trabalho feito pela prefeitura, que alugou um sítio no bairro Pompéia onde todos têm a liberdade de ir até o local, se alimentar, dormir e permanecer pelo tempo que quiser.

De aspirantes a jornalistas até filhos de pais ricos; todos os tipos e estilos podem cair no mundo das drogas e se perder deles mesmo. Mas, com um trabalho como o da Aliança de Misericórdia, é impossível não acreditar que todos merecem uma segunda chance, pois com certeza ali cresceram pessoas muito melhor educadas do que muitas consideradas melhores pelo nível ou classe social.

Um trabalho realizado em todo o país, como em Maringá, Ceará, São Paulo e tantas outras cidades, tem suas atividades mantidas apenas através de doações de comida, vestuário, dinheiro, etc.

E, mesmo sem nada luxuoso, é difícil encontrar algum filho sem um sorriso no rosto.

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Carla Oliveira

Estudante de jornalismo da Universidade Metodista de Piracicaba.