População busca mais punições contra maus-tratos a animais

O caso do cão Lobo que foi arrastado pelo dono por aproximadamente três quarteirões pelas ruas de Piracicaba, gerou uma enorme repercussão na mídia e, principalmente, nas redes sociais. Levando o cão à morte, tal ato revoltou parte da população do país que, em menos de dez dias, reuniu um total de 62.000 assinaturas (dado obtido através da ONG Vira Lata Vira Vida) na petição eletrônica Abaixo-assinado #LeiLobo: Basta de impunidade, pedindo punições mais severas aos agressores de animais.
#LeiLobo se espalha rapidamente com a ajuda do Twitter - Foto: Carol Ribeiro
Tanto as mídias nacionais, quanto os internautas, se motivaram para que a punição fosse bem mais que uma multa de R$1.500,00, concedida ao agressor.
Em um movimento de postagens coletivas, com o objetivo de arrecadar mais adesões à petição, a hashtag LeiLobo permaneceu nos trending topics da rede social Twitter, durante as duas semanas seguintes ao incidente do dia 2 de novembro.
Em uma pesquisa no Twitter, acompanhando um índice de 200 pessoas, a frase #LeiLobo foi citada diversas vezes e espalhada por muitas cidades do Brasil, como pode ser observado no gráfico abaixo. A estudante Gabrielle Penteado, aderiu ao movimento e junto com os amigos, ajudou a espalhar o caso pela rede social. “Eu, particularmente, não achei que esse caso ia se espalhar e que as pessoas iam comentar tanto. Sempre existiram maus-tratos com os animais, mas precisou acontecer algo assim para tomarem providências. Parece que o país se uniu contra esse tipo de coisa”, lembra a estudante.
 
O gráfico mostra a repercussão do caso Lobo no Twitter
• O círculo maior representa cada uma das 200 pessoas que usaram a hashtag LeiLobo, até o dia 11 de dezembro.
• Já as linhas, representam a ligação de conversas entre duas ou mais pessoas que citaram #LeiLobo.
• Os símbolos destacados em vermelho, referem-se à conversa da entrevistada Gabrielle Penteado, com outras pessoas interligadas a ela.
Com o abaixo-assinado #LeiLobo: Basta de impunidade em mãos, uma comissão composta por diversas ONG’s de proteção animal, foi até Brasília no dia 29 de novembro e segundo a presidente da ONG piracicabana Vira Lata Vira Vida, Miriam Miranda, todos os políticos visitados apoiaram a causa. “Mais uma vez, voltamos à importância da união entre protetores, mostrando para a sociedade que os animais estão sendo representados com seriedade. A advogada da ONG, Dra. Rosana Negretti, recebeu um convite do deputado Ricardo Izar, presidente da Frente Parlamentar de Proteção Animal, para elaborar uma minuta do projeto com mudanças mais justas nas leis de proteção aos animais domesticados”, afirmou Miriam.
Uma das soluções estudadas pela justiça, é de apresentar emendas que modifiquem a lei já existente (9605/98) para aumentar as penalidades, incluindo a perda de direitos e aumento do tempo de prestação de serviços. Outra solução seria levar o projeto de lei de iniciativa popular adiante, ou seja, tentar alcançar 1 milhão e meio de assinaturas em todo o país e então o projeto entra diretamente em votação com o apoio da população.
Para Miriam, mesmo diante de acusações e difamações negativas (também vindas através de redes sociais, principalmente do Facebook) envolvendo a ONG responsável pelos cuidados do cão, coisas positivas vieram com a ajuda dessas mobilizações. “Tivemos muito reconhecimento, respeito e solidariedade da sociedade como um todo e da mídia nacional. Olhamos para as coisas positivas: nossos projetos foram vistos pelo aumento da visitação no site, nossos animais despertaram interesses na adoção, muitas pessoas nos visitaram e estão se juntando a nós no trabalho, ONG’s de outras cidades querem adotar nosso esquema de trabalho e projetos de valorização dos vira-latas e dos animais deficientes. Esse foi o saldo positivo desse episódio”, ressaltou a presidente.
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Carol Ribeiro

Aluna de Jornalismo da UNIMEP

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