População de Rio Claro não aprova gastos com nova sede da Câmara

Atual prédio da prefeitura abriga também a sede da Câmara (Foto: Samuel Pancher)

O projeto que prevê a construção de uma nova sede para a Câmara Municipal de Rio Claro gerou revolta entre os moradores da cidade. Os gastos, que podem chegar a R$ 10 milhões, são rejeitados por 80% dos entrevistados pela reportagem. A Câmara se defende e diz que o espaço atual, no mesmo prédio da Prefeitura, não atende às necessidades do Legislativo.

Das dez pessoas ouvidas, oito se posicionaram contra a construção do novo prédio.  O aposentado Elson Soriano questiona a necessidade do novo espaço. “Não concordo em hipótese nenhuma com esse gasto, é desnecessário. A Câmara já está bem centralizada e localizada, não faz muito sentido”, avalia.

Grande parte  dos entrevistados, 60% do total, sugere um destino em comum para o recurso: a saúde. Como, por exemplo, a autônoma Aparecida Nery. “Sou absolutamente contra uma nova sede, existem outras prioridades como médicos, remédios, saúde em primeiro lugar. Eles já ganham demais e querem gastar mais dinheiro com eles próprios”, desabafa.

O presidente da Câmara, Agnelo Matos (PT), rebate as críticas: “Hoje em dia é essencial a separação de poderes. No estado de São Paulo praticamente não existem mais prédios que abriguem Legislativo e Executivo juntos. O nosso recurso para essa obra vem de racionamento de gastos. Não estamos tirando dinheiro da saúde para construir um prédio novo”.

Apesar de rejeição nas ruas, maioria dos vereadores é a favor do projeto. (Foto: Samuel Pancher)
Apesar de rejeição nas ruas, maioria dos vereadores é a favor do projeto (Foto: Samuel Pancher)

Uma opção sugerida pela oposição no governo passado foi o prédio da antiga CESP (Companhia Energética de São Paulo), que poderia ser cedido pelo governo do estado e adequado para abrigar a Câmara. Entretanto, Matos defende que a proposta é inviável. “Pagar a área, construir e reformar o prédio ficaria mais caro do que simplesmente construir em terreno próprio”.

O presidente da casa diz entender a rejeição das ruas, porém declara que existe desconhecimento político por parte da população que mistura as ações do prefeito com as dos vereadores. Ele ainda disse que a nova sede terá outros fins. “Vamos fazer um prédio multi-uso e funcional, patrimônio da população de Rio Claro. O prédio não é dos vereadores, é das pessoas”, finaliza Agnelo, que prevê a conclusão da obra em um ano e meio.

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