Principais avenidas de Piracicaba ainda não têm ciclovias ou ciclofaixas

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Desenho feito por ciclistas na Av. Carlos Botelho (Foto: Caroline Giantomaso)

Há quase 4 anos a quilometragem de ciclovias e ciclofaixas permanece a mesma em Piracicaba. No início de 2011 havia 3,8 quilômetros e no final do mesmo ano o número passou para 11,6 quilômetros. Avenidas que dão acesso às universidades e escolas ainda não possuem um espaço para a bicicleta. Outras que, apesar de já serem muito utilizadas pelos ciclistas, ainda não possuem nenhum projeto de construção de ciclovia ou ciclofaixa.
Em paralelo, a frota de automóveis cresce a cada ano na cidade. Segundo o Observatório Cidadão de Piracicaba, de 2013 para 2014 a frota passou de 161 mil para 167 mil. Além disso, algumas avenidas como Independência, Trinta e Um de Março e Armando de Salles Oliveira dão acesso à vários locais importantes da cidade, e nenhuma das três possui ciclovia ou ciclofaixa.
Há uma diferença técnica entre ciclovia e ciclofaixa. A primeira é uma via separada fisicamente para o ciclista, como na avenida Cruzeiro do Sul. E a segunda é uma faixa exclusiva para bicicletas, diferenciada apenas pela pintura no chão, como na avenida Beira Rio.
O estudante de Jornalismo na Unimep e participante do coletivo “Bicicletada Piracicaba”, Lucas Jacinto, utiliza a bicicleta para ir ao trabalho. Segundo ele a principal dificuldade decorrente da falta de ciclovias e ciclofaixas é quando se muda de rota “Quando vou ao trabalho faço o mesmo caminho todos os dias, acabo me acostumando com o trânsito daquela região. Mas se eu decido mudar de rota ou vou a outro lugar que o trânsito é mais perigoso, sou obrigado a andar na calçada para não correr riscos”. E disse ainda que as pessoas em Piracicaba são obrigadas a andar de carro pois é tudo muito longe “Parece que as coisas não são construídas pensando na mobilidade”. E ainda citou como exemplo o Hospital Regional que está sendo construído na região do bairro Santa Rita, próximo à Unimep.
O membro do Observatório Cidadão de Piracicaba e coordenador de políticas públicas do Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), Renato Morgado defende a criação de um plano de Mobilidade Urbana Sustentável. “A construção de ciclovias e ciclofaixas poderia incentivar mais gente a usar a bicicleta como meio de transporte. Além disso, deveria haver um investimento maior em um plano de mobilidade urbana sustentável, não apenas em ciclovias, mas também em transporte público”. Ele disse também que deveria haver um estudo para saber quais avenidas são mais utilizadas por ciclistas e investir nelas.
Já existe na cidade um grupo que luta pela mobilidade urbana sustentável, o Grumus. Uma das participantes é a doutoranda em ecologia aplicada pela Esalq, Mirian Rother. “Apesar de sermos conhecidos pelas bicicletas, também temos outros objetivos: transparência, transporte coletivo, pedestres e acessibilidade, ciclismo e educação no trânsito” disse ela. O Grumus tenta dialogar com o poder público acerca da Mobilidade Urbana Sustentável. Para alguns isso não funciona “Acho que em Piracicaba falta uma afronta subversiva em relação à gestão pública, e se o diálogo não funciona tem que partir para a ação”, disse Lucas Jacinto.

Ainda segundo Rother, o poder público tem que investir em soluções não motorizadas e coletivas. “Se existe muito congestionamento não adianta construir mais uma avenida que em pouco tempo ela vai estar congestionada também. Temos que procurar soluções não motorizadas e coletivas”

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Ciclista andando na Av. Carlos Botelho (Foto: Caroline Giantomaso)

O Grumus também organiza A Grande Festa da Mobilidade que acontecerá no dia 26 de setembro no Largo dos Pescadores.

SEMUTTRAN
Ao ser questionada, a Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte (Semuttran) informou que há metas para construção de ciclovia junto à revitalização da avenida Renato Vagner, margeando o Rio Piracicaba. E que haverá readequações na ciclofaixa já existente da avenida Beira Rio.

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Um comentário em “Principais avenidas de Piracicaba ainda não têm ciclovias ou ciclofaixas

  • 18 de outubro de 2018 em 18:21
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    Passou da hora de fazer ciclofaixas em Piracicaba, me lembro que fui em Sorocaba e por lá existem 120 km de ciclofaixas cruzando todas as avenidas. E por que aqui em Piracicaba não pode ser igual?

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