Mais Médicos não resolverá problemas em áreas carentes, diz especialista

O programa “Mais Médicos para o Brasil”, do governo federal, que visa abastecer cidades carentes de profissionais da saúde, teve a sua primeira fase encerada com um número de inscritos bem menor do que a demanda exigia. Foram solicitados 15.460 médicos por 3.511 municípios, mas somente 1.096 profissionais brasileiros e 282 estrangeiros se candidataram. Para Alexandre Margarido Lourenço, presidente da ABRAMGE (Associação Brasileira de Medicina de Grupo) do Estado de São Paulo e da Universidade Corporativa Abramge, a iniciativa do governo federal não resolverá os problemas das áreas carentes do Brasil.

Para o Presidente da ABRAMGE, o problema no Brasil não é somente a falta de médicos, mas principalmente a falta de estrutura. “Para o médico trabalhar, é preciso um hospital, um laboratório, tem que ter a enfermagem, enfim, se não houver toda essa estrutura na região fica difícil para o profissional”, afirma. Portanto, mesmo com a vinda de médicos estrangeiros e a distribuição dos próprios médicos brasileiros, não será resolvida a situação.

Os benefícios que o programa proporcionará atingirão apenas questões básicas, pois aumentará o número de médicos no Brasil (que hoje equivale a 1,8 profissional para cada mil habitantes), além de suprir a falta de atendimento básico nas áreas mais carentes do país. Mas as questões de caráter emergencial não serão resolvidas.

Segundo Lourenço, em áreas carentes não há apenas falta de infraestrutura nas dependências médicas. “Veja as regiões no Piauí, por exemplo, as distâncias dos grandes centros para regiões mais pobres são extremamente longas, além de muitas vezes não ter estradas pavimentadas. Ao contrário da região aqui de Piracicaba, onde cidades menores como Nova Odessa e Charqueada têm a cidade de Campinas e a própria Piracicaba como centros médicos desenvolvidos e acessíveis”, explica o médico. “Então, o Estado teria que fornecer uma estrutura para um atendimento adequado nessas regiões”, completa.

Além da falta de infraestrutura e de profissionais especializados, outro ponto discutido é a vinda de estrangeiros, principalmente cubanos. Uma das maiores adversidades é a dificuldade na comunicação, pois segundo Lourenço, quando um médico não consegue entender os sintomas do paciente, ele não consegue dar um diagnóstico correto e, consequentemente, o paciente continuará com a enfermidade. E esse não é o único empecilho, porque um médico estrangeiro pode desconhecer certos medicamentos e equipamentos utilizados no país, além de desconhecer tratamentos para algumas doenças tropicais, como a dengue.

Brasileiros selecionados na primeira fase do programa Mais Médicos começaram a atuar nos municípios no início de setembro, enquanto os estrangeiros formados no exterior estão em fase de treinamento e avaliação, e devem começar a trabalhar dia 16, segundo informações do governo. Novo balanço divulgado pelo Ministério da Saúde apresenta que 514 municípios se inscreveram na segunda fase do programa. As cidades solicitaram 1.165 profissionais.

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