Projetos de reorganização do Ensino Estadual geram protestos

Foto 1- Protesto em Piracicaba (Por: Thierry G. Marsulo)

O dia 15 de outubro, Dia do Professor, foi marcado por protestos. Para os professores do estado de São Paulo não há o que comemorar. Em Piracicaba foi realizado um protesto na Praça José Bonifácio, organizado pela APEOESP (Associação de Professores do Estado de São Paulo) junto aos alunos e professores das escolas da rede pública Estadual.
A manifestação foi realizada para conscientizar as pessoas das propostas discutidas pelo governo do Estado que faz parte da reestruturação das escolas prevista para 2016 em todo o Estado de São Paulo. Essa reorganização foi divulgada para o público no dia 23 de setembro de 2015, pela Secretaria Estadual da Educação e tem como objetivo reunir, em cada unidade escolar, apenas um ciclo de ensino, Anos Iniciais do Ensino Fundamental, Anos Finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio.
Estavam presentes pais de alunos, movimentos estudantis, professores e representantes da sociedade civil. As faixas e cartazes demonstravam a reprovação das mudanças promovidas pela Secretaria da Educação. “Pense em uma família onde o filho pequeno estuda na mesma escola do seu irmão mais velho, um acompanha o outro na hora de ir até o colégio. Com essa reestruturação, esse menino pequeno terá que caminhar sozinho até sua instituição de ensino” disse Roberta Lima, Diretora da Apeoesp em Piracicaba. “Pense nos perigos que essa criança passará nas ruas caminhando sozinho”, complementou.

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Foto 2- Menino protestando (Foto: Thierry G. Marsulo)

De acordo com a APEOESP (Associação de Professores do Estado de São Paulo) essa é uma retomada da prática ocorrida em 1995 pela então Secretária de Educação Rose Neubauer, na qual essa reestruturação de escolas já foi implantada, e segundo a Associação houve repercussão negativa, como a demissão de professores, fechamento de escolas e a piora na qualidade do ensino.
A Secretaria diz que o foco dessa reorganização de escolas é a melhoria da qualidade do ensino nas escolas paulistas, cada aluno será transferido para uma escola a 1,5 km de distância de suas residências, assim aumentando a segurança dos alunos ao se locomoverem até a unidade escolar.
Outra proposta é das Escolas de Ensino Público Estadual de Piracicaba, a partir do ano de 2015, não poderão mais abrir salas de 1° ano do Ensino Médio noturno com menos de 30 alunos. Para ser matriculado nesse período o aluno deverá apresentar sua carteira de trabalho assinada como jovem aprendiz.
José Benedito, funcionário público, de passagem pela praça decidiu participar da manifestação contra a reorganização: “essa é uma proposta que trará a precarização do estudo no Estado de São Paulo; a qualidade que já não é uma das melhores poderá piorar muito mais”, afirmou.

Foto 2 – Cartaz (Por; Thierry G. Marsulo)

Reestruturação em Piracicaba
Questionado sobre o tema, o dirigente da Diretoria de Ensino, Fabio Augusto Negreiros, informou à imprensa local, que será realizado um encontro com os pais e alunos no dia 14 de novembro com intuito de divulgar mais informações sobre as mudanças que irão ocorrer. Ele declarou que “é preciso esclarecer que nenhuma mudança será feita sem antes avaliarmos todas as possibilidades, como pais que têm filhos em ciclos diferentes em uma mesma escola, bairro em que mora, estrutura da escola”.
Todos os alunos serão orientados a atualizar o seu cadastro na página: www.atualizeseusdados.educacao.sp.gov.br para não perder a matricula de estudo. Durante o processo está previsto que algumas escolas receberão mais alunos que outras. A proposta final de estudantes por salas é: 30 alunos para os Anos Inicias do Ensino Fundamental, 35 alunos para os Anos Finais do Ensino Fundamental e 40 alunos para o Ensino Médio. “É muito importante que o aluno atualize seus dados”, destaca a Secretaria Estadual de Educação.

Protesto em outras Cidades
A APEOESP promoveu manifestações envolvendo alunos e professores em outras cidades da região. Em São Paulo, no dia 15, houve protestos em frente ao Palácio dos Bandeirantes que levou ao confronto professores e Polícia Militar. Já em Americana, São Pedro, Baixada Santista e em outras cidades do Estado os protestos foram pacíficos.

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