PROPOSTA DE REORGANIZAÇÃO NO ENSINO GERA PROTESTO EM AMERICANA

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Sob gritos, faixas e cartazes, aproximadamente 50 pessoas – segundo apuração do jornal Liberal – se reuniram na tarde de quarta-feira (14) para protestar contra a proposta do governador Geraldo Alckmin (PSDB) de reorganizar a rede estadual de ensino. A manifestação partiu da praça Comendador Müller, no centro de Americana, com o objetivo de chegar ao prédio da Diretoria Regional de Ensino. Lá, os manifestantes exigiram mais esclarecimentos sobre a medida.

O protesto surgiu da iniciativa da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) de Americana em parceria com o grupo Kizomba, movimento estudantil que se envolve em pautas que sejam relacionadas à juventude e a política. Por isso, contou com a presença de funcionários do sindicato, alunos – tanto da rede pública quanto particular -, e de professores da rede estadual. O movimento teve também a presença e o apoio do vereador Moacir Romero (PT), que em outubro elaborou um ofício questionando a omissão de informações a respeito da proposta por parte da Diretoria de Ensino.

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Manifestantes em direção a Avenida de Cillo (foto: Pedro Spadoni)

De acordo com a estudante Milena Gomes, membro do Kizomba, a falta de divulgação de informações precisas a respeito da medida, como quais escolas serão fechadas na região, foi um dos problemas que motivou o protesto. “A Diretoria de Ensino não se dispôs a dar esse tipo de dado para nós”, diz ela. Segundo o estudante Matheus Lirani, outro membro do grupo, o Kizomba possui apenas indícios de quais escolas serão fechadas, com base em denúncias realizadas por funcionários.

A assessoria de imprensa da Diretoria alegou não ter muitas informações sobre o caso nem permissão para tratar do assunto publicamente ainda. Após uma reunião entre a comissão do protesto e a diretora de ensino de Americana, Marilda Leme, ficou estabelecido que seria dado um retorno a eles na semana que vem com mais informações sobre a proposta.

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Manifestantes na frente do prédio da Diretoria de Ensino (foto: Pedro Spadoni)

REORGANIZAÇÃO

Até agora, o que se sabe sobre essa medida do governo estadual, que entra em vigor em 2016, é que implicará no estabelecimento de “ciclos únicos” para determinadas escolas. São três ciclos: anos iniciais (1º ao 5º) e finais (6º ao 9º) do ensino fundamental e ensino médio. Essas mudanças exigirão uma redistribuição dos alunos nas escolas. A movimentação, segundo o site da Secretaria da Educação do Estado (SEE), “será realizada através do cruzamento de dados georreferenciados”, de forma que o aluno irá para uma escola que esteja em um raio de 1,5 km da que estuda atualmente, caso seja transferido.

Para a diretora da Apeoesp de Americana, Zenaide Honório, é difícil entender a lógica por trás da reorganização. “O estado diz que é preciso separar [os alunos] para evitar que os menores sofram influência dos maiores, mas em escolas que possuem os três ciclos isso [a separação] já ocorre”, diz ela. Segundo a diretora, essas escolas possuem mecanismos de separação e diferenciação, como alas, pavilhões e intervalos específicos para cada ciclo. Além disso, Zenaide preocupa-se com a logística da movimentação dos alunos. “Um raio de 1,5 km vira 3 km [de percurso]. Muitos terão que pagar van, o que é mais um gasto. E a segurança dos alunos e dos pais, quem garante?”, questiona.

O ESTADO

Os funcionários da rede estadual encaram essa proposta do governo com preocupação. Janete Pellisson, professora de inglês e português da escola estadual Prefeito Antônio Zanaga, diz que a medida é mais um pretexto para que continue o corte de gastos públicos do governo em relação aos professores e às escolas. “Parece que esse governo se preocupa mais com a economia do que com a qualidade do ensino”, comenta a professora.

Recentemente, a Apeoesp divulgou uma lista “extraoficial” que trazia uma relação de 155 escolas no estado que seriam supostamente fechadas. Dessas escolas, cerca de seis são da região de Americana, segundo Zenaide para o jornal Liberal. Em contrapartida, a assessoria da Secretaria coloca que listas deste tipo são equivocadas. “A reorganização ainda está em estudo. Os dados são prematuros”, divulgou.

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(foto: Pedro Spadoni)

Ainda segundo a assessoria, os dirigentes regionais tiveram cerca de um mês, a partir do dia 23 de setembro, para analisar a situação de suas respectivas regiões. Estava prevista para semana seguinte ao protesto uma reunião que uniria a proposta da reorganização com a situação de cada região. “Os protestos que vêm ocorrendo [no estado] são precoces, já que ainda não se tem dados concretos sobre as mudanças que [de fato] ocorrerão”, diz a assessoria.

No dia 14 de novembro, haverá reuniões em todas as escolas estaduais de São Paulo com funcionários, pais e alunos para esclarecer os pontos da reorganização e eventuais dúvidas.

Para mais informações, visite: http://www.educacao.sp.gov.br/reorganizacao-escolar/

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Pedro Spadoni

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