Secretaria de Educação desiste de fechar Augusto Melega

Escola Augusto Melega (Foto: Thierry Marsulo)
Escola Augusto Melega (Foto: Thierry Marsulo)

Em uma época em que a reestruturação atinge as escolas de Piracicaba, a escolha da Secretaria Estadual de Educação foi reconsiderar fechamento de uma escola, a EE Augusto Melega, localizada no bairro rural Campestre.  O anúncio foi feito na manhã do dia 12 de novembro na sede da Diretoria de Ensino de Piracicaba para pais de alunos e representantes da Apeoesp. Essa foi a primeira vez que a Secretaria de Educação voltou atrás sobre a reestruturação na rede.

Essa foi uma conquista de pais e alunos da escola que pressionaram a Secretaria com protestos contra a reorganização da escola. “Foi uma aula de cidadania, conseguimos nos juntar e conseguir o direito de educação para nossas crianças”, comentou Alexsandra da Silva Soveges, mãe de um aluno da escola.

O dirigente da Diretoria de Ensino, Fabio Negreiros, informou em nota: “a comunidade questionou e disse que, por ser uma escola rural, que atende alunos do entorno e de fazendas próximas, os estudantes seriam afetados pela restruturação. Por isso decidimos mantê-la, atendendo os alunos da forma como é hoje”.

A promotora da Infância e Juventude Milene Telezzi Habice, no dia 3 de novembro, depois de uma conversa com pais e alunos, encaminhou ofício à Diretoria de Educação para cobrar as razões do fechamento da unidade. “Temos três alunos que aprenderam a tocar violão aqui na escola, não precisaram pagar nenhuma aula particular. Nosso índice IDESP da escola é bom, não entendemos o porquê de quererem fechar a escola”, disse a coordenadora da escola Maria Cristina Montagnari Ferrari.

No entanto, a Secretaria retirou o transporte público gratuito para os alunos de outros bairros de Piracicaba até a Augusto Melega. De acordo com o diretor da escola, Mário Dilson Peron “os pais estavam lutando para que o prédio continuasse a ser escola, todos arcarão com a consequência de não haver mais nenhum transporte público até a escola. Porém vários detalhes ainda terão que ser acertados”.

Segundo Maria Cristina, antes da notícia do fechamento, os professores estavam com vários projetos para desenvolver com os alunos ao longo do ano e outros previstos para 2016. Quando foram informados sobre a reestruturação e a demissão de professores e a mudança de prédio muitos se desanimaram e perderam a motivação de continuar o ano letivo.

A Unidade de ensino

Alunos na escola. (Foto: Thierry Marsulo)

A Algusto Melega é uma escola de área rural que não possui muitas salas de aula. A unidade funciona há mais de 60 anos e por ser antiga, o prédio não está bom estado. Os 200 alunos de ciclo 2 (6º e 9º anos) e alguns do ensino médio seriam remanejados para a Escola Estadual Attilio Vidal Lafratta, que possui um prédio recém-construído, com uma quantidade maior de salas de aula. Porém, como informou a coordenadora, “vários pais já criaram uma relação sentimental com o local por terem estudado quando crianças e gostariam que seus filhos passassem pelas mesmas experiências”.

Após o dia 12 de novembro, o ritmo da escola foi voltando ao normal, segundo a professora Cristiane Junqueira. “O telefone não parou de tocar e muitos alunos choraram quando receberam a notícia que a escola não seria fechada, foi uma alegria total”, afirmou.

A aluna do 2º ano do ensino médio Amanda Rodrigues Pereira Ribeiro, de 16 anos, se sentiu orgulhosa por ter participado dessa grande conquista. “Gostei de saber que essa é a primeira escola que não será fechada no estado, espero que muitas outras ainda possam continuar ativas”.

Reestruturação em Piracicaba

Um lado é de festa, o outro é de luta. A Escola Estadual Antônio de Mello Cotrim ainda está na lista de fechamento no ano de 2016. Alunos ocuparam da escola no dia 18 de novembro.

O diretor da Augusto Melega afirmou que “nossa escola teve o recuo da decisão do fechamento pois muitos pais apoiaram fortemente a decisão que continuar com a unidade ativa. Nas outras escolas precisamos de mais atitudes como essa”.

Ainda no final desse mês de novembro mais 3 escolas, a Prof. Jethro Vaz de Toledo, a Pedro Morais Cavalcanti e a Barão do Rio Branco, foram tomadas pelos alunos que estão reivindicando o cancelamento da reorganização da rede.

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