‘Sempre gostei muito da área de humanas’: Luíza Cazetta explica proximidade com o jornalismo

por / 18 de junho de 2017 Geral sem comentários

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Luíza Cazetta tem 30 anos, nasceu na cidade de Americana, SP e é jornalista formada pela Unimep. Desde que se formou, trabalhou como estagiária da Secretaria de Saúde da cidade de Americana na parte de Assessoria de Imprensa. Depois migrou para a Rádio Você, pertencente ao Grupo Liberal, onde está há nove anos. No momento, a jornalista atua na editoria de Polícia. O grupo foi até a sede do “O Liberal” para entrevistá-la. Confira alguns trechos:

Grupo: Por que você escolheu essa profissão? Você pensava em fazer outro curso antes?

Luíza: Eu sempre gostei muito da área de humanas. O interesse pelo jornalismo não teve nada muito específico: é aquele clichê de gostar de ler e escrever, achar que tinha mais a ver comigo. Nas faculdades que eu prestei, cheguei a colocar história como segunda opção. Se eu não fosse fazer jornalismo, tentaria história. E eu ainda não descarto cursá-lo um dia, mas seria por hobbie e interesse na área, não exatamente para trabalhar com isso. A escolha pelo jornalismo foi mesmo por gostar de humanas, gostar de escrever, conversar e ler.

Luíza fala sobre a carreira como jornalista e suas impressões quanto às novas tecnologias | Foto: Adriana Bergman

 

 

G: E você gosta da área que você escolheu? Pretende abandoná-la um dia?

L: Não pretendo abandonar. Aqui mesmo, eu já passei por rádio, por impresso, na parte de suplementos, estou atualmente no portal. Hoje trabalho mais para o site.

Mas, no momento, estou cobrindo umas férias e fazendo Polícia. Não consigo achar que a minha vida vai ser sempre fazendo a mesma coisa. E nem gostaria.

Gosto do jornalismo por isso, não ter uma rotina muito específica. Gosto muito, mas acho que dá também para a gente adaptar para outras vertentes.

Paralelamente, trabalho com fotografia, com meu marido. Trabalho mais na parte de parto humanizado, maternidade e fotografia de família. Criamos um blog há pouco tempo. É possível associar o jornalismo com hobbies. Com o blog, em si, não ganho dinheiro. A parte de fotografia traz dinheiro, mas é um blog para trazer conteúdo também. A nossa profissão possibilita fazer outras coisas. Me vejo jornalista para sempre, mas não sei exatamente onde vou estar atuando e como vou estar atuando.

G: Qual meio você mais se identifica (rádio, impresso, meio digital)?

L: Eu gosto bastante do meio digital. É dinâmico, ágil. No impresso você tem que aprofundar bem uma matéria. No meio digital, se acontecer algo agora e eu conseguir apurar, mesmo que seja uma apuração inicial, já posso subir para o portal e as pessoas já ficam sabendo o que está acontecendo. Por exemplo, um assalto que teve há pouco tempo, há menos de um mês, no Banco do Brasil, em Nova Odessa. A gente ficou sabendo, confirmou, fui para lá e por telefone (acho que, na verdade, por Whatsapp) passei as informações. Não era ainda tudo, porque nem a polícia sabia se o cara estava lá dentro ou não, se tinha suspeita de ter refém. Mas as informações preliminares a gente tinha. Isso [ter refém ou não], no impresso, tanto faz, porque é só no outro dia [que será publicado]. Então você tem o dia todo para saber o que você está acontecendo.

G: Para chegar aonde você está agora, foi um processo longo? Como foi?

L: Na verdade, foi natural, acontecendo aos poucos, por necessidade da empresa. Como eu já estava aqui dentro, as vagas que foram surgindo foram porque a empresa foi necessitando. Teve profissional para ocupar essas áreas. No digital mesmo, foi eu que pedi: fiz o processo seletivo e entrei. Para ir para o Suplementos, recebi um convite da empresa. Depois, para ir para o portal, eu sabia que eles estavam querendo aumentar a equipe e já fazia cinco anos que eu estava no Suplementos e Revistas e pedi. Rolou depois de alguns meses, não foi na hora, mas acabou dando certo. Eu gosto bastante porque é difícil e a gente aprende muito. Eu estava há cinco anos fazendo a mesma coisa, fica cômodo. Não que você saiba de tudo, mas você sabe o estilo do seu editor, de texto, fonte. Como é revista anual, a fonte que eu conversei no ano passado eu sei que vou conversar de novo esse ano. Então você tem os caminhos para seguir. Quando você muda, mesmo dentro da empresa, é como se começasse de novo, com a diferença que conhece os seus chefes e seus colegas de trabalho. Mas está começando tudo de novo. No portal, a gente produz vídeo. Eu não sabia nada de vídeo, inclusive de edição. Então, tive que aprender. É um processo em que você está sempre aprendendo coisas que não sabe. Eu gosto disso. Posso ficar nervosa no começo por não saber enfrentar o problema, a dificuldade, mas não vejo com maus olhos, sabe? Acho gostoso sempre estar aprendendo.

Luíza acredita na prosperidade dos jornais impressos | Foto: Adriana Bergman

G: O que você pensa da retirada da obrigatoriedade do diploma?

L: Tenho uma opinião que talvez deixem vocês bravos comigo. Mas conheci jornalistas antigos que não tinham diploma e eram ótimos jornalistas. Tem um, que até posso citar o nome dele, que chama Bargas Filho. Hoje ele está na TV. Acho que ele continua morando em Americana. A carreira dele é da área Policial. E eu acho ele um ótimo repórter, em relação à apuração e fonte. Como ele está há muitos anos no jornalismo, ele é o cara que tem mais fonte. E fonte é difícil ter. É preciso cativar. E fonte policial é mais difícil ainda, porque as pessoas vão denunciar coisas que nem sempre seu superior quer que sejam denunciadas. E ele era muito bom na apuração, na escrita. Hoje ele está na TV. Deve ter uns 60 anos, ou seja, é um cara dinâmico pra caramba. Aqui ele fazia impresso e rádio. É um cara à frente da gente. Pela idade que ele tem e sem ter diploma. Acho necessário [o diploma]? Acho. Mas penso que no passado era muito mais fácil esses caras, e com certeza há mulheres também, que exerceram e exercem muito bem e talvez melhor do que a gente que tem diploma. Era mais fácil para eles porque começaram fazendo tudo e aprendiam ali na ‘raça’, vendo o outro fazer. Hoje eu acho muito difícil uma pessoa não ter diploma e se dar bem. A não ser que seja uma carreira autônoma. Você consegue ter um canal, um veículo seu… Aí você ganha grana com isso. Agora, se for em uma empresa e você quiser seguir o caminho tradicional, acho que hoje você não consegue mais. Mas penso que é possível pessoas serem boas sem ter o diploma.

G: O que você pensa das páginas de políticas independentes que têm grande acesso?

L: Eu acho que a gente gosta muito de ler opinião. Digo de maneira geral. A ‘Folha’ tem aquela parte em que eles publicam depoimentos. As pessoas gostam de ler o que você pensa e acha… As pessoas se identificam. Os blogs e sites independentes têm um pouco disso. As pessoas se identificam por ser mais pessoal. Uma matéria jornalística é impessoal, vai seguir sempre um padrãozinho. Não estou dizendo que é ruim, mas que as pessoas se identificam quando o texto fala mais com você.

G: Para finalizar, qual é a importância do jornalismo para a população?

L: É a premissa básica do jornalismo: informar. Informar o que está acontecendo. Seja um acidente de carro, uma falta de água, ou um acontecimento político nacional, que vai interferir a vida de todos. E acho que isso nunca vai acabar. Sempre vai ter. Então mesmo se o impresso acabar, a função do jornalismo sempre vai essa.

Entrevista realizada por:

Adriana Bergman

Bianca Martim

Lauren Milaré

Marcos Spallini

1º semestre

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Bianca Martim

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