Subprodutos da indústria canavieira são o mote do planeta sustentável

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Usinas substituem adubos minerais por torta de filtro e vinhaça

Já é sabido que o uso do biocombustível como alternativa energética chama a atenção de outros países para o celeiro do mundo, maior produtor de cana-de-açúcar e o primeiro a produzir açúcar e etanol. Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento revelam que o Brasil é o responsável por mais da metade do açúcar comercializado no mundo. Até 2019 o país deve alcançar a taxa média de aumento da produção de 3,25% e colher 47,34 milhões de toneladas do produto. Para exportações, o volume previsto é de 32,6 milhões de toneladas no mesmo ano.

Adubação orgânica da cana utiliza resíduos que, quando descartados, causavam impactos ambientais (Foto: Laila Braghero)

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic), até a segunda semana de outubro a venda de açúcar apresentou aumento de 25,7% comparado com o mesmo mês de 2011. Os embarques diários passaram de US$ 73,953 em outubro do ano passado para US$ 92,978 milhões no mesmo período este ano. Sendo assim, a commodity está entre os três produtos mais vendidos pelo Brasil temporariamente, ultrapassando o petróleo e auxiliando no aumento da Balança Comercial.

O consumo interno de etanol também tem tido acréscimos expressivos. A produção projetada para 2019 é de 58,8 bilhões de litros, mais que o dobro da registrada em 2008. O consumo interno está cogitado em 50 bilhões de litros e as exportações em 8,8 bilhões. Porém, lado a lado aos avanços significativos no agronegócio como um todo perduram as diversas discussões a respeito dos impactos ambientais causados pelas indústrias do setor que mais movimenta a economia do país.

Para que esse problema seja minimizado as empresas realizam constantemente diversas pesquisas e investimentos na modificação de processos, adoção de sistemas integrados e melhorias técnicas, de forma que sejam reduzidas as emissões de poluentes sonoros e do ar. A International Finance Corporation (IFC) – maior instituição de desenvolvimento global para o setor privado nos países em desenvolvimento – membro do Grupo Banco Mundial, aponta o Brasil como modelo para a produção sustentável de cana-de-açúcar e seus derivados.

Uma das usinas visitadas pelos especialistas da IFC foi a Usina São Martinho, localizada na cidade de Pradópolis, interior de São Paulo, que está entre as maiores usinas de processamento de cana no mundo. Lá, assim como na maioria das indústrias da esfera, é feita a substituição de adubos químicos por subprodutos da cana, tais como a torta de filtro e a vinhaça. A torta de filtro, gerada a partir da clarificação do caldo de cana, é rica em fósforo e matéria orgânica e supre as necessidades nutricionais agrícolas. “Nós pegamos esse material e o trabalhamos junto ao esterco de galinha, proveniente de granjas da região, rico em outros nutrientes”, explica o diretor executivo da Agência de Fomento de Energia de Biomassa (Bioagência), Tarcilo Rodrigues – mais de 26 anos de experiência no setor sucroalcooleiro.

“Misturando a torta de filtro com o calcário e gesso, criamos um composto orgânico que é aplicado na adubação”. Fazendo isso, a usina contribui para a redução da poluição ambiental, visto que antes o subproduto era despejado nos rios. Além disso, ao retornar na terra o que foi extraído pela própria planta, a empresa adquire uma economia média nos custos do plantio de US$ 60 por hectare, já que deixa de importar adubos minerais.

A vinhaça é um resíduo do processamento de destilação da produção do etanol, rica em potássio, cálcio, magnésio, enxofre e micronutrientes. Cada litro de álcool fabricado gera 13 litros de vinhaça, que também era jogado nos rios. Rodrigues afirma que hoje 100% desse produto é reutilizado de maneira correta, obedecendo as normas da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) de concentração de nutrientes por metro quadrado: “Aplicamos esse material de maneira racional, porque onde fazemos isso também deixamos de importar adubo do Canadá, Rússia e de outros países”.

Partindo do princípio de autossuficiência é possível obter bons resultados para a agricultura ao mesmo passo em quem se vestem algumas práticas sustentáveis de baixo custo. Enquanto a vinhaça é responsável pelo aumento do pH e crescimento da atividade biológica do solo, a torta de filtro possui alto teor nutricional já no primeiro ano de aplicação. E ambos podem ser obtidos de forma fácil por serem gerados na própria indústria canavieira.

Torta de filtro pode ser aplicada desde a extensão total do campo até nos sulcos de plantio (Foto: Laila Braghero)

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Laila Braghero

Estudante de Comunicação Social - Jornalismo, na Universidade Metodista de Piracicaba - Unimep. Facebook: facebook.com/lailabraghero

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