Tecnologia em prol da produtividade, consciência contra o desperdício

por / 5 de setembro de 2014 Geral sem comentários

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A agricultura é uma das práticas mais antigas do mundo, desde que o homem

passou a “domesticar” algumas espécies de planta nós comemos o que vem

da terra, mas engana-se quem pensa que é só sair no seu quintal e jogar uma

semente no solo ou colocar um grão de feijão no algodão molhado.

A expansão do agronegócio no Brasil, tornou o país o quarto maior produtor de

alimentos do mundo, o PIB (Produto Interno Bruto) agrícola representa cerca

de 23% do PIB nacional.

Para que o legume, a verdura chegue até o consumidor final, cada etapa de

produção é um processo impressionante de tecnologia e estudos para cumprir

um desafio: alimentar uma multidão.

De acordo com a Syngenta (empresa atuante no mercado do agronegócio e

biotecnologia), a produção agrícola nos próximos 50 anos terá de superar tudo

o que foi produzido nos últimos dez mil anos, para corresponder a demanda

mundial.

Para que esse objetivo seja alcançado várias medidas são tomadas pela

agroindústria, dentre elas, a biotecnologia no tratamento das sementes.

Aproximadamente 90% das culturas utilizadas para alimentação são

reproduzidas através de semente e o problema com fungos, vírus e bactérias

que agem nela fazem com que não germinem ou a planta cresça de

maneira irregular, é o que explica o doutor Silvio Moure Cícero engenheiro

agrônomo e pesquisador da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”

– Universidade de São Paulo): “Quando se faz o tratamento de sementes

com fungicidas, assegura-se o controle de fungos de armazenamento e a

proteção das sementes contra fungos de solo, com o objetivo de assegurar o

estabelecimento das plantas em campo, que com o estande adequado, poderá

se refletir em ganho de produtividade.”, disse.

Além do aumento da produção, o tratamento visa o melhoramento da planta:

“O tratamento com micronutrientes visa suprir, via sementes, as necessidades

da planta, a obtenção de cultivares mais tolerantes às doenças, resistência

de plantas ao acamamento, maior teor de proteínas, de óleo, de fibras, etc.”

explica.

Tratamento de sementes, agricultura de precisão (tecnologia de estudos e

mapeamento das condições da área a ser plantada), o processo de colhimento

feito com máquinas cada vez mais equipadas de tecnologia e uma gama de

soluções não bastam se o maior dos vilões não for combatido: o desperdício.

Desperdício de Alimentos no Brasil

Dados da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) de 2006

revelam que no Brasil cerca de 40 mil toneladas de alimentos vão parar no

lixo todos os dias. Aproximadamente 64% do que é plantado é desperdiçado

em cadeia produtiva (colheita, transporte e armazenamento, indústria de

processamento, no varejo, processamento culinário e hábitos alimentares).

Segundo o Instituo Akatu cada casa brasileira desperdiça em média 20% de

todo alimento que compra semanalmente, uma perda estimada em um bilhão

de dólares por ano.

Os índices de desperdício são altos e já causa preocupação, é o que afirma

Nabyrie Francelino, coordenadora de projetos educacionais na área de nutrição

da ONG (Organização Não Governamental) Banco de Dados Alimentos: “De

modo geral os brasileiros desperdiçam muita comida, mesmo aqueles que

têm menor poder aquisitivo também têm altos indícios de desperdício. Nos

países pobres, o problema acontece no início da cadeia produtiva, por falta de

tecnologia e dificuldades no armazenamento e no transporte. Já nos países

ricos, a situação se agrava nos supermercados e na casa do consumidor. O

Brasil desperdiça nos dois aspectos, por isso a perda é ainda maior”, diz.

O desperdício de alimentos ainda é um dos fatores que contribuem para

a subnutrição e segundo Nabyrie é preciso consciência para diminuir o

problema: “Somos o 6o país com maiores índices de subnutrição no

mundo e contamos com 30,2% da população em situação de insegurança

alimentar, o que significa o acesso irregular e inconstante a alimentos em

quantidade e qualidade adequados. O desperdício de alimento é um dos

fatores que levam a isso, mas não é o único, quando o lixo orgânico – aquele

que tem origem vegetal ou animal e é composto de restos dos alimentos – é

depositado de forma inadequada, pode também deteriorar solos férteis e águas

que seriam utilizadas por pequenos produtores para colheita familiar. Por isso

a ONG trabalha por uma sociedade mais consciente e sustentável, atuando

no combate à fome e ao desperdício, no sentido de promover uma mudança

cultural”, finalizou.

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