Transgênico: A tecnologia do século

Post By RelatedRelated Post

 

Seria possível garantir produtividade para suprir a necessidade mundial somente com alimentos naturais ou orgânicos?

A nova legislação que coloca fim a rotulagem diferenciada para transgênicos, aprovada em abril desse ano, reacendeu o debate entorno da sua produção. Os principais embates trazem à tona o abismo entre a ciência e a religião, que criticam a modificação genética de produtos naturais somente em prol de lucros. Outro fator que influencia na aceitação do transgênico, é o seu impacto na saúde dos consumidores, ainda não esclarecido por meios de pesquisas cientificas.

Segundo Roberto Rodrigues, ex-ministro da agricultura, nos próximos 10 anos estima-se que para atender o grande crescimento populacional seja necessário que a produção agrícola cresça em média 20%, capacidade que principalmente o Brasil tem de expandir nesse mercado. “Se antes as grandes economias tentavam impedir o crescimento do Brasil por temer o seu potencial, hoje em dia elas torcem para o que o Brasil se desenvolva e consiga atender a demanda mundial”.

O transgênico é uma semente que tem o seu DNA modificado, as plantas modificadas produzem toxinas que a tornam autoimune a grande parte das pragas que podem afeta-lo em seu desenvolvimento, dispensando o uso de determinados agrotóxicos. Outras são modificadas para aumentar seu valor nutricional, como o arroz dourado da Suíça, que é muito rico em betacaroteno, principal fonte de Vitamina A.

A semente transgênica tem um custo maior, devido royalties que devem ser pagos, porém durante o seu cultivo o uso de agrotóxicos pode ser menor, compensando o custo/benefício ao agricultor.

Plantação para testes de produtos e transgênicos da empresa IHARA.

Plantação para testes de produtos e transgênicos da empresa IHARA.

Em contrapartida, instituições se empenham em lutar contra a cultura de produtos transgênicos, como por exemplo o Greenpeace, que desenvolveu em seu site uma cartilha explicativa informando sobre os efeitos dos transgênicos, que pode acarretar o desenvolvimento de alergias alimentares e ser o causador de câncer no ser humano. Para eles, modificações genéticas não é a solução para a crescente demanda e para a fome no mundo.

A realidade que vivenciamos, porém, não é essa. A fome ainda é uma situação crítica em muitos países e se a produção agrícola já não está sendo suficiente em 2015, a previsão é que se não forem implantadas novas tecnologias capazes de reduzir as perdas em lavouras, não será possível suprir a necessidade mundial de alimentos, em maior escala, gerando mais fome e miséria no mundo.

Países como França, Austrália, Japão, Nova Zelândia, Índia, Chile, entre outros, proíbem a produção de alimentos transgênicos em suas terras, mas importam alimentos que são produzidos com transgênicos, o que na prática não é muito eficaz se o intuito é fazer com que a indústria de modificações genéticas não progrida em suas pesquisas

O transgênico ainda é uma tecnologia nova, que segue em desenvolvimento, sua produção será fundamental não somente para a alimentação humana, mas também na alimentação de animais, produzindo proteína animal, essencial para nossa sobrevivência.

Não sendo somente solução para combater o problema da fome no mundo, o transgênico surge com alternativa de fonte de energia renovável. Em 20 anos será necessário dobrar a produção atual de combustíveis, com o esgotamento de combustíveis fosseis, energias renováveis e consideradas limpas serão cada vez mais uma realidade.

O Projeto de Lei 4148/08 estabelece que alimentos que contém produtos transgênicos não precisam ser identificados no rótulo, aumentando ainda mais o preconceito com os transgênicos, afinal, se não é prejudicial como a indústria química afirma, por que esconder a sua presença? É preciso tratar o tema com naturalidade, para assim estimular o seu desenvolvimento e atualizar a população com informações concretas.

Para que o transgênico possa ser aceito e seu desenvolvimento seja ampliado é fundamental quebrar o tabu em torno do mesmo, novas tecnologias que visam a busca de melhores condições para a vida humana devem ser incentivadas. A informação incorreta sobre modificações genéticas pode ser prejudicial para agricultores, que atualmente encontram uma barreira em comercializar produtos transgênicos.

A escassez de alimentos também pode ser um problema futuro a ser enfrentado se novas opções de desenvolvimento não forem aceitas e estimuladas pela sociedade. Afinal, retesar o desenvolvimento dessa tecnologia sem pesquisas científicas pode não ser o melhor caminho para um desenvolvimento sustentável em nosso modo de produção agrícola.

 

Share

Raissa Secomandi

DEIXE UM COMENTÁRIO

Email (will not be published)

*