Uber reduz faturamento de taxistas

Com a chegada do Uber, taxista sofre queda de até 50% no faturamento

 

Ponto de táxi na Av. Independência esquina com a Rua Silva Jardim. | Foto: Fernanda Rizzi.

 

Com o crescimento e surgimento de novos serviços no mercado, é possível chamar desde mototáxi até carros blindados através de um clique no celular. Um desses serviços é o Uber que por outro lado vem gerando disputa e discussão para os taxistas, que alegam queda de rendimento e faturamento de seus trabalhos. Essa concorrência acabou beneficiando apenas quem está em busca de comodidade e a praticidade do dia a dia: os clientes.

A empresa norte-americana funciona através de aplicativo para smartphone, conectando o motorista e o passageiro, facilitando a vida de ambos. Tem um preço mais acessível que o táxi e também pode ser compartilhado com mais passageiros quando a viagem possui o mesmo destino.

Para se tornar um motorista da Uber é necessário apenas carteira de habilitação com licença para atividade renumerada, certificado do registro do veículo e atestado de antecedentes criminais. Os taxistas reclamam da concorrência desleal, já que precisam pagar impostos.

Anderson Diniz, taxista há quatro anos em Piracicaba. | Foto: Fernanda Rizzi.

Anderson Diniz trabalhou como taxista durante 12 anos em São Paulo e desde 2013 está seguindo com a profissão em Piracicaba. Afirma que sua receita caiu em até 50% com a entrada do Uber.

“O táxi é minha única fonte de renda. Acho que como todos, fazemos um planejamento familiar, as contas para pagar, seguro, prestação do carro e tudo. A Uber hoje tirou 50% do meu faturamento bruto. Eu rodo e coloco tudo em uma planilha eletrônica no celular: de quando começo o dia e quando finalizo, o quanto gasto de combustível etc”, disse.

Com isso, muitos taxistas estão desistindo da profissão e procurando outros meios para conseguir manter o próprio sustento. “Alguns taxistas são aposentados, outros têm uma fonte de renda que é uma casa de aluguel ou depende só dessa renda. As contas no final do mês vêm, então muitos estão colocando o taxi como um complemento de renda. Tentam arrumar um emprego fixo e usam o táxi para garantir o sustento de sua casa. Muitos taxistas acabaram evadindo ou pelo menos diminuíram no trabalho”, acrescentou ele.

Por outro lado, com a crise econômica que o país está enfrentando, ser motorista da Uber acabou sendo uma oportunidade de emprego para Weverton Luis Menochelli que está exercendo a profissão há apenas um mês.

“Eu perdi meu emprego faz pouco tempo. Enquanto não consigo uma recolocação no mercado de trabalho, e pela facilidade em ser um motorista Uber, optei por se tornar um”, contou.

Weverton Luis Menochelli concorda em parte com as queixas dos taxistas, pois todos trabalham para conseguir o pão de cada dia. “Eu acho que o mundo está em constante concorrência e toda concorrência gera vários transtornos. Do mesmo jeito que eu perdi o emprego isso vai acontecer com eles, e do mesmo jeito que tive que me adaptar devido à crise, eles também vão ter que se inovar e se adaptar ao mercado atual”, disse ele.

A operação no Brasil é legalizada, embora poucas cidades tenham a regularização necessária para o serviço.

Por conta disso, alguns aplicativos de táxis como “99táxi” e “Wappa” já estão trabalhando com uma redução de até 30% na corrida.

 

 

Share

Fernanda Rizzi

DEIXE UM COMENTÁRIO

Email (will not be published)

*