Uso de softwares na agricultura: um importante aliado para superar os desafios impostos ao agronegócio

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Quando se trata de agricultura, o Brasil é um dos países mais fortes do mundo. A seleção brasileira de futebol deixou de ser unanimidade, porém, o agronegócio do país vem batendo um bolão: é o maior produtor mundial de feijão, cana-de-açúcar (e seus derivados: etanol e açúcar), laranja e soja. Há a expectativa de que até 2024 o Brasil se torne o maior exportador agrícola do mundo de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

O agronegócio representou ainda 23% do PIB (Produto Interno Bruto) do país em 2014, e em meio à crise do atual ano, foi o único setor dentre os segmentos que compõe o PIB que apresentou alta no primeiro trimestre, foram 4,7% de aumento de acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Existem ainda muitos desafios para o agronegócio brasileiro, porém, com a tecnologia o setor ganha cada vez mais aliados para aumentar a produtividade, baixar custos, combater a crise hídrica, as pragas, entre outros. Um deles é o uso de softwares capazes de auxiliar o produtor rural a tomar as melhores decisões para a sua lavoura.

 

O uso de softwares agrícolas

 

O avanço tecnológico e cientifico permitiu grandes realizações que transformaram o mundo. O computador e a internet geraram muitas mudanças no cotidiano de seus usuários, seja na forma de se comunicar, obterem informações ou adquirir conhecimento. A internet tornou  o mundo ainda mais globalizado e, principalmente, abriu as portas para novas maneiras de fazer negócio. Ainda este ano, o  Brasil deve ultrapassar o Japão e se tornar o quarto país com maior número de acessos à internet do mundo.

De acordo com a ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software) o Brasil alcançou a sétima posição no ranking mundial da Indústria de TI, só em 2014 o país investiu US$60 bi.  O mercado também vem ganhando espaço no agronegócio, segundo a ABES o uso de “agro-aplicativos” aumentou em cerca de 47% entre 2013 e 2014, são mais de 500 aplicativos disponíveis, sendo que 96% dos desenvolvedores são empresas de médio, pequeno e micro porte.

 

Superando os desafios

 

O grande desafio do agronegócio brasileiro é produzir com sustentabilidade, é o que diz o engenheiro agrônomo Sérgio Marcus Barbosa, gerente executivo da EsalqTec Incubadora Tecnológica, ligada à Esalq/USP (Escola Superior Agrícola Luiz de Queiróz/Universidade de São Paulo). “Produzir com sustentabilidade é investir em novas tecnologias, para que a sua produtividade aumente com o menor impacto ambiental no consumo racional de insumos como, por exemplo, a água e sem a necessidade de expansão da área agrícola”. Para Barbosa, o uso de softwares específicos para o agronegócio “é uma importante ferramenta de gestão para quem sempre procura otimizar as suas atividades”, além disso, o produtor deve estar atento ao mercado. “O produtor rural, seja ele de pequeno, médio ou grande porte, deve encarar a sua propriedade como uma empresa, e como tal, deve estar atento a todo o tipo de controle na produção”, diz.

O uso de softwares se aplica em diversos parâmetros da agricultura, dentre eles, o aumento da produtividade, o controle de pragas e custo da produção e o consumo de água.

Aumento da produção. A população mundial cresceu exponencialmente nos últimos 60 anos. Em 1950, segundo dados da ONU, (Organização das Nações Unidas) a população mundial era de cerca de 2,5 bilhões de pessoas. Em 2011 atingimos a marca de 7 bilhões, ou seja, praticamente triplicou. De acordo com a Syngenta (empresa atuante no mercado do agronegócio e biotecnologia), a produção agrícola nos próximos 50 anos terá de superar tudo o que foi produzido nos últimos dez mil anos, para corresponder à demanda mundial.

O que é preciso para aumentar a produtividade? É em resposta a esta pergunta que Ederson Garcia, mestre em Ciência da Computação e sócio fundador de uma startup voltada ao agronegócio, desenvolve um software de gestão agrícola que avalia diversos fatores que impactam a produção para descobrir qual dos destes tem maior influência e, portanto trará melhores resultados quando atacado. O software conta com um conjunto de indicadores para diversas análises como, por exemplo, o tipo de solo, sistema de drenagem, irrigação, plantio, e baseado na experiência do gestor, por meio de smartphones, tablets ou computador, auxilia o produtor rural a diagnosticar a situação da lavoura e usar os dados para melhorar a produtividade.

De acordo com Garcia, o nível de aumento da produção varia em cada caso. “O aumento da produtividade depende do nível de maturidade da empresa, se o nível da maturidade em gestão da produção for baixo, o aumento pode ser maior. Em um local de maturidade alto o ganho será menor. É difícil prever em números exatos, o fato é que os esforços são direcionados para o que realmente influencia a produtividade, não ficando apenas no empirismo”, explica. O software vem sendo desenvolvido com o apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) por meio de uma bolsa do PIPE (Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas).

Controle de pragas e custo. Responsável por 7,7% das perdas da produção agrícola brasileira, ou 25 milhões de toneladas, estudos mostram que as pragas são causadoras de uma perda estimada de R$55 bi na agricultura, ainda assim, de acordo com documento publicado pela pesquisadora Flávia Londres, o Brasil lidera o consumo de agrotóxicos no mundo.

Para reverter esse quadro o MIP (Manejo Integrado de Pragas) é uma técnica utilizada para manter sob controle o nível de pragas na lavoura de modo que esta não prejudique a plantação. Aliando o MIP com a agricultura de precisão, uma empresa mineira desenvolveu um software de monitoramento que viabiliza a coleta de amostras precisas da densidade populacional de pragas e a decisão é tomada com base nestas amostras, explica a sale manager da empresa, Vanessa Nogueira. “O monitoramento é feito pelo pragueiro por meio de um tablet, um case equipado com GPS (Global Position System), possibilidade de registro por foto, mapas inteligentes, entre outras funcionalidades. Após a coleta de informações em campo o tablet é sincronizado com o computador e as informações ficam disponíveis em um painel web ao qual o gerente e os demais tomadores de decisão têm acesso”.

De acordo com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) um MIP bem estruturado pode reduzir o custo de defensivos agrícolas em até 30 dólares por hectare. Segundo Vanessa, os usuários do software apresentaram uma redução média dos seus custos de produção de até 20% para algodão e de até 15% para soja, na safra 2014/2015.

Crise hídrica. O país vive uma crise hídrica sem precedentes. O Sistema Cantareira, um dos maiores reservatórios do Estado de São Paulo opera hoje com 19,6% da sua capacidade. O nível já esteve na casa dos 7% no fim do ano passado, segundo dados da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Estudos da ONU mostram que 72% de toda água do Brasil é utilizada para a irrigação na agricultura.

Mariana Vasconcelos, 23, é uma jovem empreendedora formada em Administração de Empresas pela Universidade Federal de Itajubá (Unifei) que baseada na experiência dos pais agricultores, juntamente com outros três sócios, desenvolveu um aplicativo que ajuda a economizar até 70% de água durante o processo de irrigação. “Meus pais são agricultores e eu já conhecia os problemas com irrigação, como meu curso era mais focado em empreendedorismo eu comecei a desenvolver o aplicativo que ligado a sensores na terra permite ao agricultor analisar a quantidade de água necessária para a sua atividade agrícola”, explica Mariana.

O sistema é basicamente uma miniestação meteorológica, sensores espalhados pela plantação ligados a um módulo que trabalha com rádio frequência, enviam dados do ambiente como umidade do solo, clima e até o desenvolvimento das plantas. Os dados são coletados e interpretados pelo aplicativo gerando recomendações ao agricultor na hora da irrigação.

Com o aplicativo, Mariana venceu um concurso promovido pela Fiap e ganhou uma bolsa de estudos no Graduate Studies Program (GSP) 2015 da Singularity University, que fica dentro de uma base de pesquisa da Nasa (Agência Espacial Americana) no Vale do Silício.

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