Valorização da cultura afro-brasileira na infância

A atuação no desenvolvimento da conscientização histórica e social da criança é responsabilidade não só da escola, mas também dos pais. Para tal, datas festivas como o Dia da Consciência Negra, é uma forma de celebrar a diversidade, apresentando para os pequenos novas culturas, para que possam adquirir um olhar mais humano e compreender melhor, inclusive, sua própria identidade.

Foi o que a 7ª edição do Afropira, realizado no último dia 20, no Engenho Central, em Piracicaba, proporcionou, ao promover diversas atividades que foram realizadas com o intuito de disseminar a cultura afro, ressaltando sua história de lutas e conquistas.

Para a estudante de fisioterapia, Cristiane Berenice, 50, eventos como esse são de extrema importância para as crianças. “É interessante que minha filha conheça um pouco da cultura, porque em casa ela tem a nossa opinião, mas ver de perto como as coisas acontecem, possibilita ela tirar suas próprias conclusões”, diz.

Cristiane e sua filha Martinha

O contato com temas como preconceito e desigualdade é muito importante para a formação crítica e social da criança, além disso, eventos assim, apresentam novas possibilidades de atividades, que podem despertar o interesse da criançada.

Um exemplo disso é a capoeira, que foi uma das atrações do evento, com participação do grupo GEACAP (Grupo Estilo Angola ao Acrobático de Capoeira), que utiliza da expressão cultural como forma de militância. “Tentamos trazer isso para dentro da sociedade, pois eu vejo a inserção das crianças hoje, como uma forma de expandir a cultura afro no futuro”, explica Marquinhos, mestre de capoeira.

Projeto social de capoeira

Segundo Cristiane Leite, mãe de João Miguel e Jonathas, de 7 e 4 anos, os meninos começaram a capoeira esse ano, mas já colhem bons resultados. “Eu acho importante, para eles aprenderem as culturas e que todos somos diferentes, e devemos nos respeitar”, avalia.

Para Elaine Teotonio, fundadora do Afropira, combater toda forma de racismo e discriminação, só é possível através do conhecimento, e o melhor momento para isso é na infância. “A nossa aula além de falar da própria dança, tem rodas de conversa, colocamos eles para pesquisarem assuntos, debater e falarem suas emoções em relação a temas históricos. Ensinamos desde pequeno que ninguém está aqui a passeio, que todos temos responsabilidades e compromisso em fazer o bem para o outro”, ressalta.

Apresentação GEACAP no 7º Afropira

Introduzir as crianças em atividades que trazem conhecimento cultural, faz com que o respeito pelo próximo e o caráter da criança seja fortalecido. “Essas ações os ensinam de onde a gente veio, nossas raízes, e fala diretamente sobre o que somos hoje, sobre a cultura brasileira”, aponta Rafa Zazá, músico e pai de Marina e Murilo.

Conhecer e conviver com culturas diferentes, tem um impacto enorme na forma em que socializamos com os demais, nos tornando mais empáticos e sensíveis com as diferenças. “O importante é fazer com que os menores compreendam que hoje não tem cor, nem raça, hoje somos um só, e juntos somos mais fortes”, finaliza Zazá.

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