Abelhas: elas dão grande contribuição para a agricultura mundial

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Estes pequenos insetos auxiliam na produção de alimentos polinizando as plantas

 

As abelhas são uma das responsáveis pela polinização das plantas na agricultura (Foto retirada da internet)

As abelhas são uma das responsáveis pela polinização das plantas na agricultura (Foto retirada da internet)

Estes pequenos insetos auxiliam na produção de alimentos polinizando as plantas

 

As abelhas fazem parte da nossa vida. E ela não é a vilã que conhecemos no cinema, como no romance “Meu primeiro amor”, sucesso das tardes de domingo. As abelhas têm um papel fundamental na produção de alimentos comuns no nosso cardápio, como grãos, frutas, legumes e até mesmo carne e leite, uma vez que as criações animais que fornecem estes mantimentos se alimentam basicamente de plantas forrageiras. Elas se encarregam da polinização e 35% de nosso suprimento alimentar dependem desses agentes.

A polinização é caracterizada pela transferência dos grãos de pólen (gametas masculinos) de uma flor até as estruturas reprodutivas femininas de outra flor da mesma espécie. As abelhas, quando procuram por alimento (néctar e/ou pólen), viabilizam a reprodução cruzada das plantas, graças aos pelos e estruturas de seus corpos nos quais os grais grãos se aderem e são transportados de flor em flor. De acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), as abelhas e outros polinizadores melhoram a produção de mais de 75% de culturas agrícolas importantes mundialmente.

Estranhamente nos últimos anos, um fenômeno tem acontecido: as abelhas estão desaparecendo. Em 2006, nos Estados Unidos, apicultores começaram a notar que colônias de abelhas estavam desparecendo, ou seja, elas saíam de suas colmeias e não voltavam, também não deixavam rastros.

Em um contexto em que há grande preocupação com a necessidade de aumentar a produção agrícola mundial para suprir todas as demandas, é necessário prestar atenção e, principalmente, refletir acerca de qualquer assunto que impacte diretamente na produtividade. Os estudos apontaram que um dos grandes responsáveis pelo incidente do desaparecimento das abelhas é o uso indiscriminado de agrotóxicos, em especial os neonicotinoides, que causam não apenas o desaparecimento, como também, a redução da população de insetos polinizadores.

Contudo, segundo Denise Alves, pesquisadora da ESALQ/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/Universidade de São Paulo), existem muitos aspectos que contribuem negativamente na sobrevivência das populações de abelhas.

“O desmatamento que reduz as áreas onde as abelhas obtêm seu alimento e mantêm seus ninhos, as mudanças climáticas que afetam a fenologia das plantas e o ciclo de vida das abelhas, a introdução de novas espécies, a transmissão de doenças entre espécies. Não é um ou outro fator, são vários”, diz.

No Brasil existem relatos de apicultores de grandes perdas em suas colmeias, embora em menor escala que nos Estados Unidos e Europa. Ainda de acordo com Denise, no Brasil não existem estudos sistemáticos que comprovam que nossas abelhas estão desaparecendo como no Hemisfério Norte, mas reitera que toda campanha de conscientização é importante.

“É importante que a sociedade tenha esse tipo de informação também para pressionar as indústrias a produzirem agrotóxicos menos agressivos, os órgãos de fomento a viabilizar pesquisas, os tomadores de decisão para discutir políticas públicas, incentivar agricultores a praticarem práticas agrícolas amigáveis aos polinizadores: como deixar uma área com muitas espécies vegetais próximas às lavouras, de forma que as abelhas possam fundar seus ninhos e obter alimento”.

Esta, aliás, é uma das soluções apontadas pela pesquisadora. “É muito importante manter um fragmento de mata nativa próximo à área de cultivo. Assim, as abelhas que moram no fragmento visitarão essa área, realizando a polinização da cultura agrícola e, consequentemente, aumentando a quantidade e a qualidade (sabor, forma, redução de deformidades) dos frutos formados. Dessa forma, o produtor que mantiver essas áreas terá o serviço gratuito de polinização e aumento de sua renda. Aliado e esse serviço, o agricultor também terá o serviço de controle de pragas, já que esses fragmentos de mata abrigam os inimigos naturais de pragas agrícolas”.

Para que este problema não se agrave no país, são necessárias algumas medidas como uso de agroquímicos seletivos e o controle biológico.

Em documento publicado pela pesquisadora Flávia Londres, o Brasil lidera o consumo de agrotóxicos no mundo. Se este é um dos fatores que contribuem para a diminuição das colônias de abelhas e outros tipos de insetos e fungos fundamentais para as plantas é preciso utilizar agroquímicos menos nocivos.

“O Brasil é um país com dimensões continentais, o uso de agrotóxicos é o controle preferido pelos agricultores pela facilidade de aplicação e onde os resultados são visíveis”, diz Cristiane Tibola, doutoranda em Entomologia da USP.

Segundo Cristiane, por muito tempo as indústrias desenvolveram agroquímicos sem levar em conta os efeitos que estes poderiam causar às diversidades de espécies encontradas em determinada cultura, e ainda que agora exista maior preocupação com o assunto, é preciso uma fiscalização maior em relação ao seu uso.

“Existem agricultores que possuem terras no Brasil e em países de fronteira, como Paraguai por exemplo. As legislações são diferentes para cada país, há produtos que são proibidos aqui, mas liberados lá e diversos produtores acabam utilizando estes agroquímicos em terras brasileiras, o que causam grandes impactos a nossa biodiversidade”, diz.

O controle biológico embora uma boa solução, carece de muito conhecimento técnico e preparo por parte dos agricultores, além disso, cada região do país demanda um tipo diferente de manejo.

Cristiane aposta que em breve o controle biológico de pragas, que é fortemente utilizado principalmente na cana-de-açúcar, será uma grande alternativa para as demais culturas de cultivos, porém, ela considera conciliar o MIP (Manejo Integrado de Pragas) com os agroquímicos.

“Não descarto o uso total dos agroquímicos, até pelas dificuldades e da falta de conhecimento a respeito do controle biológico, mas é possível conciliar as duas coisas, utilizar tanto os pesticidas desenvolvidos com moléculas menos agressivas aos polinizadores como as técnicas de manejo de pragas”.

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