Alunos de escolas privadas migram para públicas

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Com a crise econômica, muitas famílias decidiram tirar seus filhos das escolas particulares e transferi-los para as escolas públicas 

Em 2016, com a crise econômica, muitas famílias perderam o poder aquisitivo e precisaram cortar gastos. Uma solução encontrada foi transferir seus filhos das redes privadas para as redes públicas de ensino. A Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) havia anunciado que as escolas particulares perderam entre 10% e 12% das matrículas. Este ano, tudo indica que as matrículas nas escolas públicas aumentaram.

Todos os níveis de escolaridade foram atingidos, desde a educação infantil até o ensino médio e a maior saída de alunos foram das classes C e D, as que agora sentem mais o impacto da crise.

Segundo Doroti Ferreira, diretora do Colégio Cidade de Piracicaba – Anglo (escola particular), entre os fatores que geram migração estão além da crise econômica, o desemprego e o fato de alguns alunos não conseguirem acompanhar o ritmo da escola. “Na realidade, tem pais que tem até a possibilidade de pagar uma escola particular, mas na cabeça deles existem outras prioridades”, disse ela.

Alunos do Colégio Anglo de Piracicaba. Foto: Fernanda Rizzi

Até mesmo a preocupação com a violência pode ser um fator influenciador.

 

Visão negativa e violência

Os pais em muitos casos acabam criando uma visão negativa da escola pública, por ser considerada “inferior” ou por ter supostamente um índice de violência, o que acaba gerando certo receio na hora de migrar seu filho.

“É preciso entender que as escolas públicas trabalham muitas vezes em situações adversas, com falta de profissionais por causa dos salários pouco atrativos e acabam por perder profissionais”, disse Alice Maria Gerolamo Gonçalves, supervisora de Ensino da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo.

Já em relação à violência “O fato é que a escola não é alheia ao que acontece na sociedade e reflete em seu interior o que acontece fora dos seus muros. A sociedade está violenta. Não tem como isso não refletir nas escolas e em todas as instituições. Além disso, também há violência nas escolas particulares, às vezes até muito pior do que nas públicas. Bullying, por exemplo, é um tipo de violência velada mais observada nas escolas particulares do que nas públicas e raramente consta nas estatísticas, no entanto pode ser tão mais cruel que a violência física”, acrescentou ela.

Ingressos nas universidades

A crise deixou 12 milhões de desempregados no país e quem cursa o ensino médio na rede pública acaba tendo mais vagas garantidas em boas universidades, pelo sistema de cotas. Mas, para Márcia Aparecida Lima Vieira, professora de pedagogia na Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), isso se trata de uma questão de equidade. “Os alunos não tem privilégios. As cotas são sinônimos de reparação, ou seja, é dar mais para quem teve menos”, explicou ela.

Apoio dos pais nas escolas

Segundo Alice Maria Gerolamo Gonçalves, nas escolas particulares os pais fiscalizam o desempenho dos seus filhos e da escola. Mas nas escolas públicas já é um pouco mais difícil trazer a família para participar ativamente do que acontece, às vezes por causa do trabalho e outras vezes por problemas dentro da própria escola que acabam isolando a instituição.

Doroti Ferreira, com sua experiência de trabalho na escola pública e particular, percebe que nas reuniões os pais costumam ser mais presentes e preocupados nas escolas particulares. Não que a escola pública não chame os pais quando necessário, mas acredita que existe uma maior preocupação na particular.

Márcia Aparecida Lima Vieira diz que depende de como a escola se relaciona com os pais. “Quando os pais são bem recebidos, acolhidos e convidados a participar normalmente participam e contribuem com a gestão.”

 

 

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Fernanda Rizzi

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