Documentário sobre acampamento é exibido no Nelson Mandela

Moradores do acampamento Nelson Mandela assistiram ao documentário que mostra o próprio local onde moram e o que é o Movimento Sem Terra (MST). A exibição aconteceu no domingo (4) às 19h no acampamento, promovido por alunos do curso de jornalismo da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). O vídeo mostra a realidade dos ocupantes do local e complementado com um documentário paralelo chamado Zumbi somos nós.  O evento foi aberto ao público com entrada gratuita.Foto 1

Os responsáveis pelo projeto e autores do vídeo, Leon Botão e Lucas Jacinto, dizem que foram motivados a fazer o documentário por uma carência do acampamento. Como o espaço do MST na mídia é bem limitado e eles só têm visibilidade quando acontece alguma reintegração de posse ou algo de ruim nos acampamentos, eles resolveram fazer de forma mais didática para desmistificar um pouco o pensamento negativo que algumas pessoas têm sobre o movimento. São pessoas que estão trabalhando e vivendo de uma forma muito precária e que só querem um lugar para poder plantar e trabalhar.

Ainda segundo os estudantes, muitos manifestantes deram entrevistas e poder passar para eles o resultado, mostrando algo de uma forma que foge da rotina deles é uma realização profissional. Leon acredita que o documentário e a exibição dele contribuem para o movimento em mostrar para a população quem são essas pessoas realmente, uma oportunidade de conhecê-las e também o que é feito dentro do acampamento Nelson Mandela.

Os manifestantes estavam orgulhosos em ver que de alguma forma a causa deles aqui na cidade de Piracicaba ganhou a atenção dos alunos, chamando a atenção para a causa, o dia a dia, a humilhação que passam e também podendo mostrar que eles são pessoas trabalhadoras.

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O acampamento fica na zona rural de Piracicaba, no local há muitos barracos, terra, os banheiros são improvisados. Os manifestantes vivem lá em condições precárias, sem saneamento básico e dependendo de caminhões pipa pois não tem água encanada no local.

Segundo o morador do acampamento Reinalto Pereira da Silva, aproximadamente 219 pessoas entre adultos e crianças moram no local atualmente. O movimento começou em agosto de 2013 em uma fazenda perto de Charqueada, mas tiveram que deixar o local, passaram por mais alguns lugares até chegar no bairro de Ártemis em Piracicaba há aproximadamente um ano e um mês. Ele diz que tem mais pessoas para entrar no acampamento, não só moradores de Piracicaba, mas de outras cidades também. E afirmou que para entrar tem que passar por um conselho do MST, onde pode ser aprovado ou não, porque eles têm muitas regras que devem ser seguidas rigorosamente.

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Ainda segundo Reinalto, todas as crianças que estão no acampamento têm matrícula garantida na escola e frequentam regularmente a instituição de ensino. Ele comentou sobre uma escolinha que eles têm dentro do acampamento para os adultos que não terminaram os estudos. Reinalto também informou que a prefeitura fornece um caminhão pipa com água duas vezes por semana para os moradores do local, mas como aumentou o número de ocupantes, a água não está sendo suficiente. O movimento vai entrar com pedido na prefeitura para tentar aumentar a quantidade de água fornecida.

A maioria dos moradores da ocupação trabalha fora, não vive só do que planta porque não é o suficiente, mas o objetivo deles é ter um lugar para plantar e sobreviver disso, ter alimentos sem agrotóxicos que não prejudiquem a saúde. Mas enquanto não sai o assentamento de terra, eles convivem também com o medo de que a qualquer momento sofram uma desocupação, pois estão sujeitos a isso.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Letícia Alves

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