Mecânica e futebol

Volmil e seu primeiro e atual ofício: a mecânica de automóveis. Foto Gloria Cavaggioni.
Volmil e seu primeiro e atual ofício: a mecânica de automóveis. Foto Gloria Cavaggioni.

Manhã de quarta-feira. Batidas em metal, apresentador de jornal da TV, sons da rua, barulho alto de motor e um bate papo gostoso com Volmil, ex jogador do XV de Piracicaba.
Volmil não quis dar entrevista, mas topou conversar. Sorriso fácil e franco, entre ferramentas, graxa e radiadores, relembra histórias do futebol, como a do ponta esquerda de um time adversário que lhe deu uma cotovelada na boca do estômago e, provocador, diz para o jogador caído: “Levanta, o jogo é prá homem”.
Da época do futebol guarda a saudade dos companheiros de campo. Alguns costumam passar por lá, tomar um cafezinho e jogar conversa fora. Uma das paredes da oficina ostenta diversas fotos em preto e branco, com jogadores posando em tradicional formação.

 A segunda: Uma das fotografias do time do XV de Piracicaba na década de 70. Foto Gloria Cavaggioni.
A segunda: Uma das fotografias do time do XV de Piracicaba na década de 70. Foto Gloria Cavaggioni.

O atual mecânico ressalta, porém, que as boas lembranças são somente dos companheiros de campo. ”No mundo do futebol tinha muita enganação”, afirma. Como o salário dos jogadores era baixo, prêmio em dinheiro era motivação eficaz para conquista de vitórias. Volmil conta que os jogadores davam o sangue, o time vencia, mas a premiação financeira ficava muitas vezes só na promessa. Dirigente humilhar jogador era comum, revela o ex lateral. “Hoje o jogador tem mais liberdade, tem o passe livre”, diz.

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