Obesidade: cirurgia bariátrica não é a única opção

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Processo vai muito além do que apenas a realização da cirurgia e é preciso estar atento aos mínimos detalhes

 

Atualmente a obesidade é um dos maiores problemas de saúde na sociedade. Apesar de ser uma condição individual, ela pode vir a gerar outras enfermidades como doenças cardiovasculares e diabetes. Muitas pessoas acreditam que a única forma de reverter essa situação é realizando a cirurgia bariátrica. Adotam essa ideia, muitas vezes sem conhecer o procedimento ou outras formas de tratamento contra a obesidade.

Manter uma dieta equilibrada, buscar o conhecimento sobre alimentação e como adequá-la ao seu estilo de vida ajuda a nos manter no peso ideal. Mas só isso não é o suficiente para descartar riscos. “Devemos nos atentar à atividade física e procurar sempre antecedentes familiares de doenças, tipo diabetes, hipertensão e estar realizando exames periodicamente”, diz o Dr. Paulo César Valério, nutricionista do Hospital dos Fornecedores de Cana de Piracicaba. Além disso, devemos nos atentar às bebidas, tratando-as como refeições.

“Eu tive alguns motivos que me levaram a perceber que eu precisava de ajuda. O primeiro foi muita dor de estômago. Quando fui ao gastroenterologista ele me disse que era por causa da obesidade. Depois, minha pressão subiu muito, isso também por causa da obesidade. Eu comecei a tomar medicamentos para todos esses problemas, mas aí o estomago não aguenta também. Percebi que não podia me entupir de remédios se não focasse em perder peso”, conta Michele Cristina Stefanelli, participante do grupo Saúde Inteligente – Promoção da Saúde e Prevenção de Riscos e Doenças da Santa Casa de Piracicaba.

Michele quer emagrecer sem cirurgia | Foto: Gabriely Marchi

A cirurgia bariátrica é um procedimento para o qual o paciente deve se preparar de formas diferentes. “A cirurgia bariátrica tem toda uma legislação, ou seja, um protocolo a ser preenchido para a pessoa poder realiza-lá. Preenchido esse protocolo, ela é encaminhada para avaliação com o nutricionista, com o psicólogo e outros profissionais”, diz Dr. Valério.

Ele enfatiza a importância do preparo psicológico dos pacientes no processo. “Se nós não estivermos equilibrados ou tivermos pouca atenção ao nosso emocional, cometemos alguns erros, inclusive na parte alimentar”, diz ele. Transtornos alimentares são comuns entre os pacientes, seja se alimentando compulsivamente ou negligenciando as refeições. O emocional deve ser trabalhado muito bem para que a pessoa consiga se adaptar de forma adequada a esse novo estilo de vida.

Os grupos de ajuda, para o nutricionista são de extrema importância. São compostos por profissionais como nutricionistas encarregados da orientação nutricional. Eles são os responsáveis pela reeducação alimentar de cada paciente. Procuram, de forma simples, levar as pessoas a alcançarem uma forma de combinar alimentos, com todos os nutrientes, em termos de proteínas, carboidratos e gorduras, vitaminas, sais minerais e outros elementos, sem exageros. Ainda contam com os psicólogos, que procuram estudar o paciente, e achar o que levou essa pessoa a obesidade, e então trabalhar a parte emocional. Há ainda outros médicos e também preparadores físicos para iniciar um plano de condicionamento para essa pessoa. “Sem a equipe não há sucesso, não adianta só fazer a cirurgia se não tiver um acompanhamento prévio e pós-operatório. Sem isso, a pessoa vai ficar perdida e pode acabar se frustrando”, ele afirma. Ainda dá ênfase à importância do apoio familiar do paciente.

Michele, como participante, acredita que o grupo de apoio é fundamental para os pacientes. “Se eu não tivesse participado desse grupo, não teria nem noção de como seria o pós-cirurgia, porque até então você vê o corpo, como a pessoa ficou, mas você não vê a saúde, como ela vai gradativamente voltar ao corpo de quem faz esse procedimento. O grupo está sendo essencial para minha decisão, porque é algo para o resto da vida. Ele ajuda você a se equilibrar, minha autoestima mudou, minha alimentação mudou, hoje eu já procuro fazer mais atividade física”, ela conta.

Ainda salientando a importância do preparo psicológico, o Dr. César conta: “Existe outra cirurgia em que você coloca um anel no estômago, então apenas uma determinada quantidade de alimento passa. Porém, se o que for ingerido for liquido, tem maior facilidade. Já tratamos casos os quais uma pessoa chegou a ingerir 4 kg de sorvete no dia, convertendo isso em calorias, imagine só. A pessoa volta a engordar mesmo, fora toda a frustração psicológica. Então, precisa ter um acompanhamento”.

A cirurgia bariátrica é um procedimento invasivo, que altera a anatomia do estômago e do intestino. No pós-cirurgia, pode ocorrer um problema, como as fístulas gástricas ou interias. Elas são pequenas aberturas onde o ponto se localiza e, por conta disso, a pessoa poderá ficar internada, recebendo uma alimentação especial, que é a nutrição parenteral por veia. “A cirurgia bariátrica tem 5% de complicações, então em cada cem, cinco vão complicar. Essas complicações são muito sérias, as fístulas podem ocorrer e as pessoas ficam até 90 dias no hospital e muitas vezes vão a óbito”, conta Dr. César.

É de grande importância informar o paciente das mudanças anatômicas que ocorrerão no seu sistema digestivo, já que essa mudança não permitirá mais comportar a mesma alimentação que a pessoa tinha antes da cirurgia. A dieta do pós-operatório é para sempre. O paciente começa com a dieta liquida. Se tudo continuar progredindo, a dieta muda para uma pastosa até chegar a uma dieta branda e então a pessoa passa a seguir uma orientação pós-alta, para fazer em casa. Ainda segundo o nutricionista, “Durante um tempo, eu acredito, depois que essa pessoa fez a cirurgia bariátrica, ela deveria ser acompanhada por um psicólogo, por um nutricionista, ter todo um amparo”.

Sobre a cirurgia bariátrica, Michele diz que aquilo que pensava sobre o procedimento já mudou. “Eu achei muito interessante no início e queria muito realizá-la. Mas hoje, após as palestras que eu estou tendo com psicólogos, psiquiatras, nutricionistas, já estou mais em dúvida se eu quero ou não fazer, mais para não do que para sim. Meu objetivo agora é focar em perder os quilos que eu preciso, sem fazer a cirurgia”.

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Gabriely Marchi

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