No XV, Sub 15 garante preparação dos futuros atletas

Ao entrar no CT do XV, a primeira coisa que se nota é uma enorme estante de prêmios e, mais à frente, a sala que está sendo construída como uma espécie de linha do tempo dos títulos ganhos pelo clube ao longo de sua história. Entre os troféus há muitos conquistados pelos meninos da categoria de base Sub 15.

Conversação faz com que a equipe entre em sintonia. Foto: Celso Gabriel

Para fazer parte do time os garotos interessados são submetidos à uma avaliação, a popular “peneira”. Apenas os 30 que sobressaem no teste passam a compor o elenco do XV na categoria.

Quem faz a avaliação durante a “peneira” são todos os membros da comissão técnica, formada pelo treinador, preparador físico, treinador de goleiros e o auxiliar técnico. A decisão final é tomada pelo treinador com base em critérios técnicos e táticos (técnicas ao jogar, o físico e coordenação motora).

Em virtude da qualidade do trabalho realizado, em 2016 o   XV de Piracicaba conquistou o certificado de clube formador de atletas concedido pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol). O certificado só é facultado para os clubes que cumprem os requisitos impostos pela Confederação, e poucos conseguem essa proeza. Atualmente, são 42 em todo o Brasil e 16 no estado de São Paulo. Esse certificado atesta ao clube uma certa garantia sobre o jogador que sobe para o nível profissional e vai para outro time e nestes casos a agremiação deve ser ressarcida pelo valor investido no atleta durante todo período que esteve na categoria de base.

O maior desafio em relação às categorias e base, segundo o coordenador Matheus Bonassi, que está no posto há 5 anos, é o financeiro, pois o investimento nos atletas mirins é alto e nem sempre há um retorno, o que normalmente resulta em um grande déficit. Há necessidade de oferecer muitos recursos aos jogadores, como fisioterapeutas, nutricionistas, treinos disciplinados e diários, treinadores aptos e suporte em caso de lesão.

No XV, o principal responsável pelos meninos é Rafael Vinicius, 24 anos, treinador da base Sub 15 e auxiliar da Sub 17. Os treinos e as condições de jogos para os atletas são pensados especificamente por conta de estarem em processo de desenvolvimento, e compreende que é necessário trabalhar com uma certa “blindagem”, para que eles não se decepcionem ou se desmotivem com situações negativas ou casos de insucesso.

É necessário uma equipe preparada para formar os jovens, para que mesmo que não se tornem jogadores profissionais, assimilem o que aprenderam durante o tempo na base.  “Eles se empenham, se esforçam para dar o melhor de si, eles cuidam um do outro, são unidos e isso como um todo dá confiança para irem disputar os campeonatos. Cada jogador tem sua oportunidade de jogar, mas como há competições diferentes, alguns acumulam um histórico maior de jogos”, afirma Rafael.

O próprio treinador já sonhou em ser jogador profissional, e chegou a jogar na base do XV, mas teve de desistir. Apaixonado por esportes, se empenhou em estudar e se aprofundar para estar sempre envolvido com futebol e preparado para lidar com a pressão de representar a camisa de um clube centenário e com uma grande torcida.

Treinador Rafael Vinicius, 24 anos.
Foto: Celso Gabriel.

No horizonte dos jovens jogadores há muitos sonhos em comum e também desejos bem particulares. Jogar em um clube da Europa, como o Real Madri ou o Barcelona é um dos desejos praticamente de todos.

Do XV para a Europa

Davi Nunes, de 14 anos, ocupa a posição volante mas consegue jogar em outras posições, como centro avante ou meia. Para ele, os treinos são de alta intensidade o que o faz evoluir. Mesmo com a intensidade, conta que consegue conciliar com a escola. O jovem já tem consciência que o jogador que veste a camisa do XV carrega uma grande responsabilidade, por conta da sua história e de sua torcida.

O principal incentivador foi seu pai, mas recebe apoio de toda família. Caso não siga carreira no futebol, seu segundo plano seria nas áreas biológicas mas nada especifico ainda. O seu ídolo do futebol é Toni Kroos futebolista alemão. No futuro, Davi se vê jogando profissionalmente no XV de Piracicaba e, mais adiante, na seleção brasileira.

Caio Xavier, de 14 anos, jogador que veio da base da Ponte Preta e irá disputar seu primeiro campeonato vestindo a camisa do XV, joga na posição de meia atacante principal, mas também sabe improvisar como atacante e volante. O atleta classifica os treinos como intensos mas bons, pois melhoram o físico e as técnicas.

Caio não se preocupa com a pressão e sente orgulho de vestir a camisa do clube. O sonho de ser jogador de futebol está ligado à trajetória do primo Alexandre Silveira Finazzi, que jogou como profissional. O apoio é de toda família, mas também tem um plano B caso não consiga se profissionalizar: ser empresário ou professor. Seu ídolo é Neymar e o sonho maior é jogar na Europa, no Barcelona ou Real Madrid.

Aconselhamento é fundamental para que os atletas evoluam.
Fotos : Celso Gabriel

Giovany Ribeiro, de 15 anos, atua como lateral direito, mas gosta da esquerda também e as vezes varia como zagueiro. Gosta dos treinos e garante que consegue conciliar bem com a escola. Desde pequeno sempre quis ser jogador de futebol e quem o apoia extremamente é sua mãe. Caso não siga no esporte, suas opções de carreira são ser bombeiro ou militar, especificamente como atirador de elite. Seus ídolos são Daniel Alves e Marcelo Vieira e no futuro o jovem atleta se vê jogando na Europa.

Gabriel Calderari, de 15 anos, joga na posição de zagueiro, mas pode também atuar como volante, Sua influência para seguir carreira no esporte foi seu pai, que também jogou na categoria de base, mas a mãe também o apoia. Caso não siga como jogador, pretende ser educador físico. Seu ídolo é o jogador espanhol Sergio Ramos e no futuro Gabriel também se vê jogando profissionalmente na Europa.

Jonathan Henrique, de 15 anos, atua na posição de goleiro e sabe que atuar na posição é uma grande responsabilidade. Seus treinos são específicos e tem muito orgulho de vestir a camisa do XV, o que na sua opinião exige muita responsabilidade. Mesmo com treinos diários, Jonathan consegue conciliar com a escola e o que o incentivou a querer seguir no futebol foi ver o irmão jogando. Recebe apoio integral da família e caso não consiga seguir no esporte, suas opções são a carreira militar, na marinha ou na aeronáutica. Seus ídolos são o ex-goleiro do São Paulo Rogerio Ceni e Joe Hard, goleiro inglês que joga atualmente no West Ham. Jonathan também sonha com um futuro na Europa e na seleção brasileira.

Mas, nem tudo é alegria, e muitas vezes os jovens atletas já sofrem com contusões desde cedo. Este é o caso de Vitor Gabriel, de 15 anos, que jogou fora do XV, emprestado para outro time. Ao fazer uma jogada simples e tentar antecipar o zagueiro, por um deslize o atacante acabou caindo nas costas de Vitor e com o joelho em cima de sua perna. O choque acabou quebrando o fêmur do garoto e provocou o medo de nunca mais poder jogar.

O XV deu todo o amparo que ele precisava e viabilizou uma cirurgia para a colocação de três parafusos e uma haste na perna. Sua recuperação durou quatro meses, com tratamentos diários para fazer o fortalecimento da perna por conta da cirurgia. Recuperado, Vitor disse que não está com medo de forçar a perna quando retornar, pois estará preparado para entrar em campo novamente.

A união esta presente no time em todos os momentos.

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leticia azevedo

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