TECNOLOGIA INOVADORA ATRAI OLHARES NO CAMPO

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Produtividade através do desenvolvimento inovador levou Brasil a preservar mais de 69 milhões de hectares desde 1990, segundo a CONAB

A imagem de associar tecnologia a ‘vilã do campo’ vêm mudando gradativamente, e rápido. Para suprir as necessidades humanas, diversas áreas investiram em sistemas e produtos, assim como o setor do Agronegócio, sendo essas tecnologias de informação, tecnologias genéticas, nanotecnologias, dentre outras.

A preocupação atual no campo é garantir produtividade, baixo custo e zelar pelos recursos naturais sem deixar de lado as garantias e apoios trabalhistas. Muitas dessas tecnologias eram vistas como prejudiciais ao meio ambiente, assim especialistas e pesquisadores se empenharam para criar tecnologias inovadoras e sustentáveis.

O processo de desenvolvimento no Agronegócio e na produção agropecuária é tão nítido que uma Síntese elaborada pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) intitulada de ‘O Futuro do Desenvolvimento Tecnológico da Agricultura Brasileira – Visão 2014-2034’ revela que entre os anos 1970 e 2013, a produção brasileira de grãos teve uma expansão de quase oito vezes, resultante dos ganhos contínuos de produtividade e a incorporação de novas tecnologias no processo produtivo.

Pesquisas de desenvolvimento e inovação na agricultura foram fundamentais nos últimos 40 anos e precisam ser intensificados nos próximos 20, de acordo com a Síntese da Embrapa. Os quatro grandes eixos destacados que devem ser observados nos próximos anos é a busca pela sustentabilidade, promoção de pesquisa e inovação, contribuição de políticas públicas nacionais e internacionais de impacto para o rural brasileiro, ações integradas para a inclusão produtiva e forte apoio ao desenvolvimento tecnológico que apoie a agricultura familiar, a agricultura orgânica e agroecológica.

Dentro e fora da porteira, diversas empresas buscam alternativas em implantar a inovação tecnológica através de programas de pesquisas. Isso se deve também ao avanço na gestão empresarial de se adequar a implantações e certificados como o ambiental, que deve estar dentro das normas governamentais socioambientais, tendo dessa forma, um diferencial competitivo.

De acordo com Carlos Araújo, especialista agrícola e diretor da Mackenzie Agribusiness, o desenvolvimento e a autossustentação de uma empresa se devem a uma gestão de qualidade e eficaz em que todos os setores fiquem integrados com atualizações de tecnologias e inovações. “Uma gestão eficaz e bem planejada garante o desenvolvimento de resultados significativos, mas é necessário ‘arregaçar as mangas’. Não existe milagre, o preparo deve ser desde o solo até a saída do produto.”
A empresa Case, especializada em máquinas agrícolas, é uma das maiores referências de que a tecnologia usada de maneira adequada é uma grande aliada na redução dos impactos ao meio ambiente.

Máquina Agrícola Case com a tecnologia Efficient Power

Foto: Vinícius Queiroz – Máquina Agrícola Case com a tecnologia Efficient Power

Todas essas mudanças tecnológicas devem caminhar junto com a atualização do ser humano de modo a assegurar mão de obra e benefícios a colaboradores, e a Case, por exemplo, realiza formações contínuas para manter a sociedade e os trabalhadores informados. Uma de suas inovações lançada recentemente é o Efficient Power, uma metodologia de desenvolvimento presente em seus produtos para maior eficiência, produtividade, menos combustível utilizado e longevidade dos sistemas, garantindo o melhor aproveitamento para o produtor sem prejudicar o seu campo.

José Roberto Camargo, responsável pelo Treinamento Comercial da Case, reforça que as máquinas são um ótimo avanço no campo. “Uma das operações mais relevantes no meio rural é o plantio, por isso essas máquinas são importantíssimas nesse processo, garantindo produtividade e agilidade, além de serem adequadas para não agredir o meio ambiente”.

Dentre as empresas do agronegócio que investem em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) está também a Embrapa que cria pesquisas para superar o desafio de produzir com sustentabilidade. Ladislau Martin Neto, diretor de P&D da Embrapa, afirma que a Embrapa gera conhecimentos e tecnologias para a agropecuária. “As pesquisas tecnológicas permitem a redução de custos no campo e ajudam a aumentar a oferta de alimentos com sustentabilidade”.

O último destaque de desenvolvimento da Embrapa foi o software Acha (Avaliação da Contaminação Hídrica por

Produção de plástico comestível - Embrapa Instrumentação - São Carlos (SP).

Produção de plástico comestível – Embrapa Instrumentação – São Carlos (SP).

Agrotóxico) que realiza a previsão do comportamento ambiental do agrotóxico antes de o produto ser aplicado na lavoura. A empresa também tem uma Rede de Nanotecnologia Aplicada ao Agronegócio – a Rede AgroNano – com o objetivo de aumentar a competitividade e a sustentabilidade do agronegócio brasileiro, utilizando uma abordagem diferenciada as tradicionais pesquisas e criando sensores, biopolímeros e até filmes plásticos comestíveis.

No agronegócio é possível observar iniciativas de pesquisas como a Escola Superior de Agricultura ‘Luiz de Queiroz’ (USP/ESALQ), uma escola que possui diversos laboratórios de pesquisas em que se é verificado formas de ajudar a vida dentro e fora do campo. A instituição também conta com a ESALQTec, incubadora tecnológica que auxilia startups, micro e pequenas empresas a se desenvolverem através de tecnologia e inovação.

Muitas outras empresas e instituições financiam projetos de pesquisa no campo tecnológico, também como programas realizados pelo poder público como o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) que incentiva a formação de pesquisadores brasileiros. Porém esse quadro ainda está em desenvolvimento. Segundo dados da pesquisa sobre bioeconomia realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em outubro de 2014, 58% dos entrevistados disseram que não consideram a indústria brasileira inovadora, mas acreditam que o Brasil tem vantagens em relação aos outros países em relação a biodiversidade, corpo científico qualificado, dimensão territorial, recursos naturais e biocombustíveis.

A bioeconomia é a economia associada a processos biológicos, uso consciente dos recursos naturais, biodiversidade, biotecnologia e sustentabilidade, permitindo que as pessoas tenham maior longevidade, qualidade de vida e aumento da produtividade agrícola. De acordo com a mesma pesquisa, os pontos críticos para o desenvolvimento tecnológico no Brasil é a burocracia e a falta de incentivos governamentais.

Outra questão que desdobra debates no mundo todo é a relação do comércio de produtos transgênicos brasileiros, que devem ser revistos para que ao mesmo tempo em que obtenha produtividade também seja seguro a saúde humana, sem causar nenhum mal. Avaliações políticas são realizadas de tempos em tempos para sanar o problema do transgênico, porém ainda não há nenhuma solução definitiva.

Entretanto, o Brasil tem grandes chances de desenvolvimento, atualmente o agronegócio brasileiro corresponde a 30% de empregos no Brasil e aproximadamente 24% do PIB, mantendo o país entre os primeiros no cenário mundial de exportação de alimentos e tende a aumentar cada vez mais graças a tecnologias inovadoras.

Roberto Rodrigues em Seminário na Embrapa Campinas.

Foto: Vinícius Queiroz – Roberto Rodrigues em Seminário na Embrapa Campinas.

O ex-ministro da agricultura Roberto Rodrigues, afirmou no seminário realizado na Embrapa Campinas em junho deste ano, a competência que o Brasil tem de se desenvolver. “Nós temos a melhor tecnologia do mundo e muita terra disponível, o que devemos fazer é investir em P&D, produtividade agropecuária e em segurança alimentar”.

Rodrigues também ressalta o levantamento realizado pela CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) de que 1990 à 2014 a produção agrícola no Brasil cresceu 234% e se tivéssemos a mesma produtividade e recursos de 1990, seriam necessários 69 milhões de hectares a mais para gerar a produção atual, mas o desenvolvimento criou alternativas de preservação e baixos impactos ao meio ambiente.

Sendo um dos principais fatores para o desenvolvimento do Brasil, o Agronegócio brasileiro avança cada vez mais através de estratégias de crescimento e essas devem ser intensificadas. O setor necessita da valorização de centros de pesquisas de inovação e produtividade, medidas institucionais e públicas como o código florestal e investimentos em comunicação, a fim de informar a população e todos os envolvidos sobre as mudanças necessárias.

Nada disso seria possível se não fosse o empenho de agricultores dinâmicos e competitivos, e mais, os investimentos em pesquisas de ciência e tecnologia. O futuro do Agronegócio depende do equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e a sustentabilidade ambiental, garantidos pela tecnologia e inovação aliados ao campo.

Texto: Raíssa Natasha Ciccheli – 2º ano de Jornalismo – UNIMEP

Imagem Capa: Banco de Imagens Embrapa – software de precisão para agricultura.

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Raíssa N. Ciccheli

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