Casos de mortalidade infantil aumentam em Piracicaba

 

Itamiro Marques Foto: Natália Zanini

Colaboradores: Natalia Zanini e Carol Ribeiro

De 4.733 nascidos,  40 nasceram mortos em Piracicaba no ano de  2010, segundo dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade).

A pesquisa aponta que em 2009 a taxa de mortalidade infantil era de 9 em 2010 esse número subiu 15,5% passando para 10,4 por mil nascidos vivos. O número está pouco abaixo da média comparado com a taxa de mortalidade infantil na região de Piracicaba, que abrange 26 cidades, e é de 12,5.

Entre os casos por idade estão: precoce com 3,8% de mortes, tardia com 2,1% e pós-neonatal com 4,4%.

Segundo o Coordenador do Pacto de Redução da Mortalidade Infantil de Piracicaba, Dr. Rogério Tuon, devido ao Pacto,  que foi um documento escrito como contrato em 2005, que constava o comprometimento de secretários e trabalhadores da área da saúde, desenvolvimento social, esporte, da educação, as ONGs do município, empresas e representantes da comunidade, em realizar ações que melhorassem a qualidade da saúde em Piracicaba.

“Todos se comprometeram em fazer ações voltadas para qualidade do pré-natal e acompanhamento das crianças com até um ano de idade, visando a diminuição da mortalidade infantil”, explica Tuon.

Segundo o Conselheiro da Saúde de Piracicaba, Itamiro Marques, a saúde na cidade tem nota cinco por ter muito que ser melhorado. “A saúde é algo que deve ser sanado de dentro para fora e não o contrário, como muitas vezes é feito. Mas acredito que estamos caminhando para melhorar problemas e reclamações cabíveis ao conselho”, explica.

 

CASO

Há seis meses, Cláudia de Souza, 32 anos, deu à luz, mas, por pouco seu filho não faleceu. Passadas de 42 semanas de gravidez, Cláudia, não apresentava dores ou dilatação e recebeu uma carta de seu obstetra para ser internada.

Ela recebeu a carta pela manhã e foi a noite para o hospital por volta das 20hrs. O médico fez exames na paciente por diversas vezes, mas adiou o parto por várias horas. Às quatro da manhã o médico tentou ouvir os batimentos do coração da criança, mas não conseguiu.  Durante exame de toque ele ouviu um barulho e pediu para as enfermeiras providenciassem uma cesariana.

O bebê nasceu às 4h28 mas não chorava e foi levado as pressas para outra sala. Cláudia não foi avisada que a criança havia nascido com o cordão umbilical enrolado com duas voltas no pescoço, e só depois de vários procedimentos pode-se ouvir o choro.  Pela demora do parto a criança engoliu água da placenta. O neném ficou do momento em que nasceu até às 11hrs na encubadora sem tomar banho ou mamar.

Para Cláudia é necessário a melhora do atendimento às gestantes. “Eu tive sorte de o meu filho ter nascido, mas muitas outras mães não têm essa sorte. Muitas acabam passando da data, passando da hora e o bebê vai a óbito. Eu estava calma por acreditar que seria parto normal, mas quando notei que estava passando da data, surgiu uma preocupação. Eles deveriam ter feito um ultrassom ou qualquer outro exame, para ver o que estava acontecendo. Ou, já que notaram que eu não tinha dilatação, deveriam ter feito uma cesárea quando fui internada”, relata.

Share

Carla Lauton

Estudante do terceiro semestre de jornalismo. Email: carlalauton@yahoo.com.br

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*