Minicursos e oficinas marcam 13 anos da Casa do Hip Hop

 

Uma foto, oito jovens e 20 minutos. Esses são os números do concurso que integrou o minicurso de fotografia, em que cada jovem participante tinha 20 minutos para produzir a melhor imagem do dia. O prêmio? Esse era surpresa. Correria, olhares minuciosos para todos os detalhes. Eis que Pietra Polo, estudante de jornalismo que venceu a disputa, apresenta aos jurados sua fotografia. Edson Junior e Marcos Kelvin Soares pareciam pinturas retratadas na tela, que mais lembravam uma obra de arte. Agora sim, a revelação: Pietra recebeu um cartão de memória como recompensa.

Com o palestrante Arnaldo Silva, fotógrafo profissional, o tema da aula “Faça-te luz! A fotografia que me revela” trouxe à tona as técnicas, papéis, elementos e o universo do retrato. “O papel da foto é fazer as pessoas compreenderem a mensagem, é uma memória de momentos com composição de elementos”, afirmou Arnaldo. Ainda segundo ele, “devemos ter um olhar diferenciado ao nosso redor, captando aquilo que ninguém observa”.

De acordo com o dicionário, música é a arte e técnica de combinar sons provenientes da voz, de instrumentos, que possuam ritmo, melodia, harmonia de maneira agradável ao ouvido e é uma ação de se expressar através de sons. E foi com essa definiçã
o que a oficina de DJ se baseou. Marcos Paulo da Silva Solveges – DJ da casa e quem ministrou a aula prática – contou que a atividade é anual e reuniu 13 participantes.

Arnaldo Silva, fotógrafo que ministrou o minicurso Foto: Natália Pedrolli Marim
Arnaldo Silva, fotógrafo que ministrou o minicurso. Foto: Natália Pedrolli Marim

“A oficina é uma forma de transformar o dia de alguém, tornando-o alegre. Aqui, ensinamos tempo, ritmo e conhecimento musical, pois, para mim, ser DJ é gostar de ouvir música. Ele está nos quatro cantos, em vários ritmos. Podemos nos ‘manifestar’ através das composições das letras musicais”, disse.

As atividades fizeram parte das comemorações dos 13 anos da Casa de Cultura Hip Hop. Interligando aprendizado e engajamento social, minicursos e oficinas gratuitos foram ministrados por profissionais de diversas áreas a fim de comemorar o aniversário da organização não governamental. De 31 de outubro a 2 de novembro, os dias foram marcados por muitas atividades festivas, trazendo educação, cultura, música e o principal, o aprendizado, para a população da cidade.

Seminários, encontros, campeonatos, feiras, rodas de conversa também foram atividades desenvolvidas para construir conhecimento e debater os desafios no trabalho com a juventude de Piracicaba e região.

Entrada da ONG. Foto: Natália Pedrolli Marim.
Entrada da ONG. Foto: Natália Pedrolli Marim

 

A ONG

A Casa de Cultura Hip Hop de Piracicaba surgiu a partir da junção de dois projetos, o Agito Pauliceia e a Associação Revolucionária Hip Hop da cidade. No início, o foco era apenas fortalecer a cultura hip hop. Depois, como já havia um trabalho comunitário, o leque abriu-se para outras vertentes culturais, musicais e esportivas.

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Personalização da geladeira. Foto: Natália Pedrolli Marim

Atualmente, a ONG funciona na rua Jaçanã Altair Pereira Guerrin, bairro Paulicéia, juntamente com o centro comunitário da região. Ela atende aproximadamente 300 pessoas que participam das atividades gratuitas de arte, cultura, comunicação, esporte, lazer, cidadania e educação a partir dos cinco elementos da cultura hip hop: grafite, DJ, breaking dance, MC e consciência. A educação integral em prol do fortalecimento das famílias e comunidades são consideradas as metodologias da Casa.

No total, existem mais de 30 espaços destinados à cultura hip hop, cada um com sua organização própria. A “casa mãe”, modo como os integrantes a denominam, fica em Diadema.

A associação sem fins lucrativos não tem apoio de nenhum órgão, seja ele particular ou governamental. De acordo com Ubirajara Sabino, o Bira, presidente da Casa de Hip Hop, são os próprios dirigentes que a mantém.

Desde novembro de 2002, o espaço busca promover a inclusão social e discutir assuntos pertinentes na sociedade. “Queremos reunir as pessoas para que elas aprendam aqui e levem as experiências para a comunidade, multiplicando o conhecimento. O que cobramos da molecada é o respeito, que é o que pregamos na cultura hip hop. Também não pode haver discriminação. A consciência vai até onde você pode ir”, acrescentou Bira.

Qualquer um, independentemente da idade, pode participar das atividades desenvolvidas no local, que são as seguintes: muay thay, jiu jitsu, capoeira, basquete, skate, aulas de desenho, teatros, saraus, grafite, break, dança de rua, rima, artesanato. “O mais interessante é que o filho, a mãe e o pai fazem as atividades juntos. Conseguimos trazer a família para cá”, comentou o presidente da Casa.

Os projetos desenvolvidos incluem: Base 2, Generoso Jiu Jitsu, Resgate Muay-Thai, Louge da Leitura, Biblioteca Ruty Guimarães, Geladeiroteca. Ainda, toda primeira semana do mês é promovido um sarau de poesia e uma bicicletada para discutir mobilidade urbana.

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