Mostra Acadêmica abre horizontes das universidades para a política

“A universidade é uma grande produtora de cultura, mas não participa totalmente da política”, declarou o professor Ely Eser Barreto Cesar, convidado principal para abertura da 12ª edição da Mostra Acadêmica, com o tema “Cultura e Formação Política: O Papel da Universidade”, realizada no teatro Unimep, na terça-feira (4), as 19h30.
A abertura contou ainda com a presença do reitor, o professor Gustavo Jacques Dias Alvim e da professora Rosana Macher Teodori, coordenadora de pesquisa e pós-gradação da instituição e presidente do GT organizador da Mostra, Teodori abriu seu discurso dizendo estar gratificada ao ver o teatro cheio e tantos alunos interessados em mostrar seus projetos. Além de Ely Eser Barreto Cesar, que é doutor em teologia pela Emory University, dos EUA, e que também foi vice-reitor acadêmico da Unimep entre 1991 e 2002, a Mostra contou com um segundo palestrante, professor Bruno Pucci, do Programa de Pós-Graduação em Educação da Unimep.
Pucci focou bastante no alemão Theodor Adorno, nome importante ligado à teoria da comunicação. O palestrante concorda que as opiniões e falas de nomes importantes como Adorno, continuam refletindo na nossa sociedade atual. Pucci foca mais no pensamento da sociedade e como isso reflete na cultura e posicionamento político nos dias de hoje.
Por ser o convidado principal da noite, Ely Eser teve mais tempo, começando com foco na economia. Segundo os empresários brasileiros, o maior problema da crise econômica no Brasil é o salário pago pela mão de obra. O palestrante diz achar que a situação econômica do país se encontra num bom patamar, pois após a globalização, vários países quebraram, mas o Brasil conseguiu se manter em pé. No quesito de política, o doutor em teologia fala bastante sobre o neoliberalismo, que é um conjunto de ideias políticas e econômicas capitalistas que visam a não participação do estado na economia. Ele diz que o Brasil é um país onde o pensamento neoliberal não é adotado e por isso a crise econômica ainda não nos atingiu, em comparação com os EUA. O palestrante defende a cultura antropológica, onde é fundamental ter uma visão de mundo aberta para os atos políticos, e isso tem que começar a ocorrer nas universidades.
Ao falar sobre política, Ely Eser criticou bastante a posição das universidades em assuntos ligados à política. Segundo ele, as universidades precisam arriscar-se mais fundo nesse papel. Não adianta ser uma boa produtora de cultura e deixar de lado a política, pois ambas caminham juntas e é através da cultura, que escolhemos nossos caminhos para a construção de visões políticas. O doutor em teologia termina a palestra lançando uma reflexão aos ouvintes: é preciso desenvolver nossa visão de mundo para um futuro melhor. Pensar em projetos políticos e se incluir neles. “É preciso parar de olhar para o próprio umbigo e abrir a mente para novos horizontes”.

Professor Ely Eser Barreto. (Foto: Natália Cordeiro)
Professor Ely Eser Barreto. (Foto: Natália Cordeiro)

A 12ª Mostra Acadêmica contou com 900 projetos inscritos, o que surpreendeu de uma maneira boa a organizadora professora Rosana Macher Teodori. Segundo ela, a mostra é feita para os alunos, que muitas vezes não sabem aproveitar essa oportunidade, mas que esse ano está sendo muito melhor no quesito de participações em comparação aos outros anos. É de extrema importância que os alunos se interessem nos trabalhos apresentados para poder conhecer o que a universidade tem de melhor a oferecer para a construção de um futuro brilhante.

Alunos prestigiam palestra. (Foto: Natália Cordeiro)
Alunos prestigiam palestra. (Foto: Natália Cordeiro)
Share

2 comentários em “Mostra Acadêmica abre horizontes das universidades para a política

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*