Entrevista: ‘Houve um golpe de Estado’, declara Paulo Henrique Amorim

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Foto: Felipe Gonçalves

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Por: Felipe Gonçalves e Serjey Martins

O jornalista carioca Paulo Henrique Amorim esteve na UNIMEP (Universidade Metodista de Piracicaba), no dia 1 de setembro, para ministrar a Aula Magna do curso de jornalismo. Durante o evento, Amorim lançou o livro O Quarto Poder, no qual fala sobre as experiências que registrou, durante seus 50 anos de carreira, trabalhando nas mais importantes empresas de comunicação e TV do país. Na publicação, ele narra os bastidores dos grandes veículos de comunicação e as relações destes com a política e o governo.

Cerca de 800 pessoas lotaram o Teatro UNIMEP, entre professores, coordenadores, diretores, alunos dos cursos de comunicação, direito, história e letras, além da participação da comunidade local. Alguns dos candidatos a prefeito e vereador de Piracicaba também marcaram presença.

Responsável pelo blog Conversa Afiada, conhecido por suas provocações e críticas ao neoliberalismo e partidos de direita, o jornalista já teve passagens pela TV Globo, Rede Manchete, TV Bandeirantes, Revista Veja, Editora Abril e TV Cultura, e, desde 2006, apresenta o Domingo Espetacular, na Rede Record.

O apresentador atendeu à reportagem do Jornal de Classe para uma entrevista sobre o panorama atual das eleições municipais. Confira:

O Brasil está imerso em uma crise política, como isso influencia nas eleições municipais?

Eu acho que a principal consequência é o impacto que isto pode vir a ter sobre os candidatos do PT (Partido dos Trabalhadores). A segunda consequência é provavelmente sobre aqueles candidatos que se identifiquem de uma maneira mais clara com o golpe. Porque houve um golpe de Estado. Então, de um lado você tem aqueles que serão prejudicados porque são ligados ao PT e de outro lado aqueles que serão prejudicados porque estão ligados aos golpistas. Mas, de uma maneira geral, eu tenho a impressão de que nas eleições municipais, embora venham a ser realizadas em um ambiente de muita fragmentação no espaço político brasileiro, são um pouco imunes a esta questão federal, digamos assim. No fundo, o eleitor, na hora de votar em prefeito e vereador, quer resolver problemas da sua vida local. Então essas questões, digamos federais, têm importância, mas é relativa.

O que o senhor acha que a mídia, a grande imprensa, tem de influência sobre essas eleições e até a imprensa regional?

A imprensa de televisão tem uma importância brutal. Como eu digo no meu blog Conversa Afiada, ou você tem a Globo ou você é uma democracia. Não pode haver as duas coisas, ao mesmo tempo. E a Globo, com suas subsidiárias, afiliadas e as repetidoras no Brasil inteiro, tem um papel político desastroso.

É possível estar bem informado sem ser manipulado pela imprensa?

Eu diria que muitas vezes, de fato, você (jornalista) não pode divulgar aquilo que sabe. Seja por causa da posição política, da posição editorial da empresa em que trabalha, seja por um compromisso que você assumiu com o próprio entrevistado ou com a própria fonte da informação.

E o que você recomenda?

Foto: Felipe Gonçalves

Foto: Felipe Gonçalves

O que eu recomendo é o que eu fiz no meu livro. Você anota tudo e guarda, um dia você publica o livro (risos). Não ser manipulado é muito difícil. No Brasil houve um processo de concentração industrial selvagem quando o presidente João Goulart caiu em 1964. Havia no Rio de Janeiro oito jornais diários, hoje tem dois. Então a Rede Globo tem uma hegemonia que não existe em nenhuma outra democracia do mundo. Para você conseguir evitar ou sobreviver nesta selva de manipulação e controle você tem que buscar fontes diferentes de informação, na internet, na literatura escrita, nos livros de história, nas conversas com os seus amigos, na experiência pessoal, nas manifestações de rua e procurar criar mecanismos políticos e institucionais para derrubar esta situação de quase monopólio.

O processo eleitoral no Brasil é confiável?

O processo eleitoral no Brasil tem algumas distorções graves. Uma delas é, evidentemente, o papel do dinheiro na eleição. Embora a legislação, agora, tenha diminuído esse fator, sempre haverá o poder do dinheiro, porque os ricos sabem como se financiar, dentro ou fora da lei.

Currículo internacional: trabalhou por 2 anos como correspondente em Nova York da Revista Veja, de 1968 a 1970. Em 1990, foi convidado pela Rede Globo para ser chefe de escritório e correspondente em Nova York. Neste período também colaborou para o programa World Report da Rede CNN.

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